Açúcar fecha em alta nas bolsas com impulso do petróleo; mercado acompanha clima na Índia
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Os preços do açúcar encerraram a sessão desta terça-feira (21) em alta nas bolsas internacionais, sustentados pelo avanço do petróleo, que reforçou a perspectiva de maior direcionamento da cana para a produção de etanol. Apesar da recuperação, o mercado segue atento à evolução das chuvas de monção na Índia, que vêm reduzindo parte das preocupações com a oferta global da commodity.
Na Bolsa de Nova Iorque, o contrato outubro/26 fechou cotado a 14,88 cents de dólar por libra-peso, com alta de 6 pontos. Em Londres, o contrato outubro/26 do açúcar branco encerrou o dia a US$ 469,30 por tonelada, avanço de 210 pontos.
O principal fator de sustentação das cotações foi a forte valorização do petróleo. O WTI avançou mais de 2% e atingiu o maior nível em cinco semanas, movimento que tende a elevar a competitividade do etanol. Com isso, cresce a expectativa de que usinas possam destinar uma parcela maior da cana para a produção do biocombustível, reduzindo a oferta de açúcar no mercado internacional.
Ainda assim, o mercado continua monitorando as condições climáticas na Índia. Após as fortes quedas registradas na última quinta-feira, quando os contratos atingiram as mínimas de três semanas, a melhora das chuvas de monção segue limitando uma recuperação mais intensa dos preços. Segundo o Departamento Meteorológico da Índia, o déficit de precipitações acumulado até 20 de julho caiu para 23% abaixo da média histórica, uma melhora significativa frente aos 42% registrados no fim de junho.
Os investidores também acompanham o posicionamento dos fundos na ICE de Londres. Dados do relatório Commitment of Traders (COT) mostram que, na semana encerrada em 14 de julho, os fundos ampliaram em 716 contratos suas posições compradas líquidas em açúcar branco, alcançando o recorde de 58.847 contratos. Esse elevado volume de apostas na alta pode aumentar a volatilidade e intensificar movimentos de realização de lucros caso o cenário climático continue favorável.
Mesmo com a recente correção, o açúcar ainda acumula forte valorização nas últimas semanas. No início de julho, os contratos em Nova Iorque atingiram o maior patamar em cerca de dois meses, enquanto Londres renovou as máximas em mais de dez meses, refletindo as preocupações com a produção indiana. O Ministério de Ciências da Terra da Índia chegou a alertar que a monção de 2026 poderá ser a mais fraca dos últimos 11 anos, embora as chuvas mais recentes tenham amenizado parte desse risco.
Mercado interno
No mercado físico brasileiro, os preços do açúcar cristal branco seguem oscilando em São Paulo e ainda buscam uma direção mais consistente. Após acompanharem a recuperação das cotações internacionais nos últimos dias, os negócios permanecem influenciados pelas mudanças no cenário interno e externo.
De acordo com pesquisadores do Cepea, a volatilidade decorre das sucessivas alterações nos fatores conjunturais que afetam o mercado, dificultando a consolidação de uma tendência para os preços.
O centro de pesquisas destaca ainda que a oferta nacional continua confortável. A produção brasileira segue atendendo à demanda interna e mantendo excedentes para exportação, favorecida pelas boas condições climáticas observadas até o momento para o desenvolvimento da safra, fator que contribui para limitar movimentos mais expressivos de alta no mercado físico.
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