Açúcar fecha com leves perdas, mas oferta global continua no centro das atenções

Publicado em 20/07/2026 16:23
Melhora das chuvas de monção pressiona as cotações, enquanto menor moagem no Centro-Sul e preocupações com a oferta global limitam quedas mais acentuadas

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Os preços do açúcar encerraram a segunda-feira (20) com leves perdas nas principais bolsas internacionais. O mercado foi pressionado pela melhora das chuvas de monção na Índia, que reduziu parte das preocupações com a oferta global, mas as incertezas sobre a próxima safra indiana impediram um recuo mais intenso das cotações.

Na Bolsa de Nova Iorque, o contrato com vencimento em outubro fechou cotado a 14,82 cents por libra-peso, queda de 1 ponto. Em Londres, o contrato de açúcar branco para outubro encerrou o pregão a US$ 467,20 por tonelada, com recuo de 270 pontos.

A principal pressão sobre o mercado continua vindo da Índia. Segundo o Departamento Meteorológico do país, o déficit acumulado das chuvas de monção caiu para 23% abaixo da média até 20 de julho, uma melhora expressiva em relação aos 42% registrados no fim de junho. A recuperação das precipitações reduz, ao menos no curto prazo, os temores de perdas na produção do segundo maior produtor mundial de açúcar.

Mesmo assim, o mercado permanece atento ao comportamento do clima. O Ministério de Ciências da Terra da Índia mantém o alerta de que esta poderá ser a temporada de monções mais fraca dos últimos 11 anos. Como o período entre junho e setembro é decisivo para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, a evolução das chuvas continuará sendo determinante para as expectativas de oferta global.

Outro fator que contribui para a volatilidade é o elevado volume de posições compradas dos fundos de investimento na Bolsa de Londres.

Segundo o relatório Commitment of Traders (COT), os fundos ampliaram em 716 contratos suas posições líquidas compradas na semana encerrada em 14 de julho, alcançando um recorde de 58.847 contratos. Esse cenário aumenta a possibilidade de movimentos de realização de lucros, ampliando as oscilações dos preços.

Safra brasileira reforça preocupação com a oferta

Além do cenário internacional, os investidores repercutiram os novos dados da safra brasileira. Informações divulgadas pelo Ministério da Agricultura mostram que a moagem de cana no Centro-Sul totalizou 31,15 milhões de toneladas na segunda quinzena de junho da safra 2026/27, queda de 28,4% em relação ao mesmo período do ciclo anterior.

Embora o governo não tenha detalhado as razões da retração, o Centro-Sul registrou chuvas acima do normal nas últimas semanas, o que pode ter dificultado tanto a colheita quanto o processamento da cana pelas usinas.

A redução foi mais intensa do que a esperada pelo mercado. Levantamento da S&P Global Commodity Insights apontava uma queda média de 21,6% na moagem.

A produção de açúcar apresentou retração ainda mais expressiva, recuando 44,2%, para 1,61 milhão de toneladas, enquanto a fabricação de etanol caiu 13,1%, para 1,7 bilhão de litros. As estimativas da S&P indicavam quedas menores, de 34,4% para o açúcar e de 2,8% para o etanol.

Mercado segue atento à Índia e ao El Niño

Para Marcelo Bonifácio Filho, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o mercado continua precificando principalmente as expectativas para os próximos meses, diante das incertezas envolvendo os principais produtores.

"O mercado de açúcar continua bastante atento às perspectivas para os próximos meses, especialmente diante dos riscos climáticos e das incertezas envolvendo a Índia. Embora ainda não exista qualquer decisão oficial, chama atenção o fato de o próprio setor indiano já discutir a possibilidade de o governo autorizar importações de açúcar para conter a alta dos preços domésticos", afirma.

Segundo o analista, mesmo sem uma decisão oficial, o simples fato de essa possibilidade estar em discussão evidencia as dificuldades enfrentadas pelo país.

"Isso mostra estoques mais apertados, uma demanda crescente por etanol e duas safras de cana abaixo do potencial, cenário que ainda pode ser agravado pelo El Niño. Ao mesmo tempo, as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao açúcar brasileiro tendem a reduzir a competitividade das exportações para aquele mercado e podem aumentar a oferta disponível para outros destinos, fator que pode pressionar o mercado internacional", explica.

Apesar da volatilidade registrada nas últimas sessões, Bonifácio destaca que o mercado continua sendo guiado muito mais pelas expectativas em relação à oferta global do que por mudanças imediatas nos fundamentos.

"Os preços seguem refletindo muito mais as expectativas para a oferta global e para o comportamento dos principais produtores do que mudanças efetivas nos fundamentos de curto prazo", conclui.


 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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