Açúcar fecha em queda com tombo do petróleo e melhora das chuvas na Índia
Os preços do açúcar encerraram esta segunda-feira (27) em queda nas principais bolsas internacionais, pressionados pela forte desvalorização do petróleo e pela melhora das chuvas de monção na Índia. O cenário reforçou as perspectivas de aumento da oferta global da commodity, levando os contratos aos menores níveis da última semana.
Na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US), o contrato outubro fechou cotado a 14,58 cents de dólar por libra-peso, com queda de 19 pontos. Em Londres (ICE Europe), o contrato outubro do açúcar branco encerrou o dia a US$ 458,40 por tonelada, recuo de 240 pontos.
Petróleo reduz competitividade do etanol
O principal fator de pressão sobre o mercado foi a queda superior a 7% do petróleo WTI. A desvalorização da commodity reduz a competitividade do etanol em relação aos combustíveis fósseis, diminuindo o incentivo para que as usinas destinem uma parcela maior da cana à produção do biocombustível.
Com isso, cresce a expectativa de maior produção de açúcar, ampliando a oferta disponível no mercado internacional e pressionando as cotações.
Chuvas na Índia reforçam expectativa de safra maior
Outro fator baixista continua sendo a melhora das condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. De acordo com o Departamento Meteorológico do país, o déficit acumulado das chuvas de monção caiu para 16% abaixo da média até 27 de julho, avanço significativo em relação aos 42% registrados no fim de junho.
A recuperação das precipitações reduz as preocupações com a safra indiana e fortalece as expectativas de maior produção de açúcar na temporada. Ainda assim, o Ministério de Ciências da Terra da Índia mantém o alerta de que esta poderá ser a temporada de monções mais fraca dos últimos 11 anos. O período entre junho e setembro é decisivo para o desenvolvimento da cana-de-açúcar.
El Niño e oferta brasileira seguem no radar
Apesar da pressão observada nesta sessão, o mercado continua acompanhando os riscos associados ao fenômeno El Niño. A expectativa é de que o evento climático reduza as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, podendo comprometer a oferta global nos próximos meses.
No Brasil, os fundamentos seguem oferecendo algum suporte às cotações. Dados divulgados pela Unica mostram que a produção de açúcar no Centro-Sul alcançou 6,838 milhões de toneladas até maio da safra 2026/27, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
A redução reflete a maior destinação da cana para a fabricação de etanol. O mix de produção das usinas indicou que 41,42% da matéria-prima foi destinada ao açúcar, ante 50,09% no ano anterior, enquanto a participação do etanol aumentou de 49,91% para 58,38%.
Outro fator que continua sendo monitorado é a revisão das estimativas da consultoria Czarnikow para o mercado global. Em junho, a empresa passou a projetar um déficit de 100 mil toneladas de açúcar na safra 2026/27, revertendo a expectativa anterior de um superávit de 1,4 milhão de toneladas, em um cenário de maior produção de etanol pelas usinas brasileiras impulsionada pelos preços da energia.