Açúcar recua nas bolsas internacionais após atingir máximas de um ano
Os preços do açúcar encerraram a sexta-feira (14) em queda nas bolsas internacionais, devolvendo parte dos ganhos acumulados ao longo da semana após as cotações atingirem máximas de um ano na quarta-feira (12). O mercado continua encontrando sustentação nas perspectivas de menor oferta global e nas preocupações com o clima em importantes regiões produtoras.
Em Nova Iorque, o contrato de outubro fechou em queda de 22 pontos, a 16,60 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato de açúcar branco encerrou a sessão com baixa de 670 pontos, negociado a US$ 511,20 por tonelada.
Czarnikow prevê déficit global
Apesar da queda nas cotações, uma nova projeção da Czarnikow ajudou a limitar a pressão sobre os preços. Em relatório divulgado nesta sexta-feira, a empresa estimou um déficit global de 2,9 milhões de toneladas de açúcar em 2027/28.
A consultoria prevê que a produção mundial recue 0,7%, para 177 milhões de toneladas, diante principalmente de impactos climáticos e da redução do plantio de cana-de-açúcar e beterraba.
Índia, União Europeia e Tailândia estão entre as regiões apontadas como mais vulneráveis às condições climáticas adversas.
Europa enfrenta impactos do clima
Na Europa, a combinação de seca e temperaturas elevadas deve reduzir a produção de açúcar da União Europeia e do Reino Unido para 14,98 milhões de toneladas neste ano, segundo dados da S&P Global Energy.
Se confirmado, o volume será o menor em 11 anos, aumentando as preocupações sobre a disponibilidade da commodity no mercado internacional.
Monções na Índia seguem abaixo da média
Na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, as condições das chuvas de monção continuam sendo acompanhadas de perto.
O Departamento Meteorológico da Índia informou na quinta-feira que o acumulado de precipitações entre junho e setembro permanecia 12% abaixo da média até 13 de agosto. Apesar do déficit, o cenário representa uma melhora expressiva em relação aos 42% abaixo da média registrados em 30 de junho.
Produção brasileira também pesa no balanço
No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, a queda na produção do Centro-Sul também contribui para limitar a pressão sobre os preços.
Segundo dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), a produção de açúcar na região caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas, na comparação com o mesmo mês da safra anterior.