Açúcar fecha em baixa em Nova Iorque e Londres com demanda fraca no radar

Possível entrega elevada em Nova Iorque reforça sinais de demanda física mais fraca, enquanto déficit global e riscos climáticos limitam pressão sobre os preços
Publicado em 30/09/2026 15:42 | Atualizado em 30/09/2026 16:49

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O açúcar fechou em baixa nas bolsas de Nova Iorque e Londres nesta quarta-feira (30), pressionado principalmente pelas preocupações com a demanda física pela commodity. O vencimento do contrato outubro em Nova Iorque também colocou no centro das atenções a possibilidade de uma entrega elevada, reforçando os sinais de consumo mais fraco.

Em Nova Iorque, o contrato outubro recuou 19 pontos e terminou a sessão a 17,63 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o contrato dezembro do açúcar branco caiu 320 pontos, para US$ 506,30 por tonelada.

Entrega elevada reforça preocupação com demanda

De acordo com a McDougall Global Views, o volume de contratos em aberto do açúcar outubro em Nova Iorque, que expirou nesta quarta-feira, indicava uma possível entrega de aproximadamente 1,8 milhão de toneladas.

O volume projetado fica acima da média dos últimos seis anos e foi interpretado como um sinal de demanda física mais fraca pelo açúcar. O dado ganhou peso no mercado após a elevada entrega registrada no vencimento do contrato outubro em Londres, que somou 499.350 toneladas, 91% acima do registrado um ano antes.

A combinação dos dados mantém a demanda como um dos principais fatores de pressão sobre as cotações, mesmo diante de perspectivas de um balanço global mais apertado na próxima temporada.

Déficit global ainda sustenta o mercado

Do lado da oferta, diferentes projeções ainda apontam para déficit global em 2026/27.

A Organização Internacional do Açúcar (ISO) estima déficit de 200 mil toneladas na próxima temporada, após um superávit projetado de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26. A entidade também prevê queda de 1% na produção mundial, para 180,1 milhões de toneladas.

A Covrig Analytics trabalha com déficit de 300 mil toneladas em 2026/27, enquanto a Czarnikow estima um déficit de 2,9 milhões de toneladas para 2027/28.

Na Tailândia, a Thai Sugar Millers prevê queda de 17% na produção de açúcar em 2026/27, para 10 milhões de toneladas. O país é um dos principais exportadores mundiais da commodity.

Na Índia, o Departamento Meteorológico informou que o acumulado das chuvas de monção entre junho e setembro estava 12,6% abaixo da média até 30 de setembro, o menor nível em 11 anos.

A condição climática mantém a atenção sobre o potencial produtivo do país, segundo maior produtor mundial de açúcar. Ao mesmo tempo, o governo indiano autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifa até 31 de outubro.

A medida amplia a disponibilidade no mercado doméstico e pode reduzir a necessidade de oferta local no curto prazo.

Brasil também influencia balanço global

No Brasil, a menor produção do Centro-Sul continua sendo um fator de suporte para os preços. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a produção de açúcar na região caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

O Brasil é o maior produtor mundial de açúcar, fazendo com que o ritmo da safra brasileira tenha influência direta sobre o balanço internacional.

Os riscos climáticos associados ao El Niño também permanecem no radar dos participantes do mercado, especialmente pelos possíveis impactos sobre as chuvas em importantes regiões produtoras.
StoneX reduz déficit e limita espaço para alta

Outro fator que pesa sobre as cotações é a revisão da StoneX para o balanço global. A consultoria reduziu sua estimativa de déficit de açúcar em 2026/27 de 1,7 milhão para 900 mil toneladas.

A redução diminui a percepção de aperto no balanço mundial e contribui para limitar o potencial de valorização dos contratos, em um momento em que os sinais de demanda física mais fraca ganham espaço nas decisões dos participantes.
 

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