Açúcar fecha misto após petróleo reverter alta e mercado avaliar demanda

Reversão do petróleo, real mais fraco e sinais de demanda física pressionam Nova Iorque, enquanto fundamentos de oferta limitam as perdas
Publicado em 28/09/2026 16:05

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O açúcar fechou a segunda-feira (28) em direções opostas nas bolsas de Nova Iorque e Londres, após uma sessão marcada pela reversão dos ganhos do petróleo e por novas preocupações com a demanda pela commodity. Em Nova Iorque, o contrato outubro terminou em baixa, enquanto Londres encerrou o dia com leve valorização.

Na bolsa de Nova Iorque, o contrato outubro recuou 4 pontos e fechou a 17,45 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o contrato dezembro do açúcar branco avançou 1,50 ponto, para US$ 504,10 por tonelada.

Petróleo muda de direção durante a sessão

No início do pregão, o açúcar encontrou sustentação com a alta de mais de 4% do petróleo WTI. A valorização do combustível melhora a competitividade relativa do etanol e pode estimular usinas de diferentes países a direcionarem uma parcela maior da matéria-prima para a produção de biocombustível, reduzindo a quantidade destinada ao açúcar.

Ao longo do dia, porém, o petróleo perdeu força e voltou a operar em queda. A mudança de direção retirou parte do suporte que vinha sendo dado ao açúcar e favoreceu a liquidação de posições compradas nos contratos futuros.

O câmbio também contribuiu para a pressão em Nova Iorque. O real brasileiro recuou para o menor nível em um mês, cenário que tende a estimular as vendas externas dos produtores brasileiros, aumentando a oferta da commodity no mercado internacional.

Demanda continua limitando recuperação

A demanda física permanece entre os principais pontos de atenção para o mercado. Segundo a McDougall Global Views, o volume atual de contratos em aberto para o açúcar em Nova Iorque com vencimento em outubro, que expira na quarta-feira (30), indica uma possível entrega próxima de 1,8 milhão de toneladas.

O volume projetado está acima da média dos últimos seis anos e reforça as preocupações sobre a capacidade de absorção do mercado físico.

A leitura ocorre depois da elevada entrega registrada no vencimento do contrato outubro em Londres, que somou 499.350 toneladas, 91% acima do observado um ano antes.

Outro fator que pesou sobre as cotações foi a revisão da StoneX para o balanço global. Na semana passada, a consultoria reduziu sua projeção de déficit mundial de açúcar em 2026/27 de 1,7 milhão para 900 mil toneladas.

Apesar da revisão da StoneX, diferentes estimativas continuam apontando para um mercado global mais apertado na próxima temporada.

A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit de 200 mil toneladas em 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.

A Covrig Analytics também prevê déficit de 300 mil toneladas na próxima temporada, enquanto a Czarnikow estima um déficit de 2,9 milhões de toneladas para 2027/28. A consultoria avalia que problemas climáticos em importantes regiões produtoras, como Índia, União Europeia e Tailândia, podem limitar a produção mundial.

Na Tailândia, a Thai Sugar Millers projeta queda de 17% na produção em 2026/27, para 10 milhões de toneladas. O país é um dos principais exportadores mundiais de açúcar.

Índia amplia atenção sobre oferta

Na Índia, o acumulado das chuvas de monção entre junho e setembro estava 12% abaixo da média até 28 de setembro. Apesar de a diferença ter diminuído em relação ao déficit de 42% registrado até o fim de junho, o Departamento Meteorológico da Índia mantém a avaliação de que a temporada pode ser uma das mais fracas dos últimos 17 anos.

A Índia também autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem cobrança de tarifa até 31 de outubro. A medida pode ampliar a disponibilidade no mercado doméstico indiano e reduzir a pressão por compras no mercado internacional.

Brasil tem produção menor, mas câmbio pesa

No Brasil, a menor produção do Centro-Sul continua sendo um fator de suporte para os preços. Segundo a Unica, a produção de açúcar na região caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de açúcar, fazendo com que o ritmo da safra brasileira tenha impacto direto sobre o balanço internacional.

Ao mesmo tempo, o comportamento do real adiciona uma força oposta ao mercado. Com a moeda brasileira mais fraca, a remuneração das exportações tende a ficar mais atrativa para os produtores, favorecendo a comercialização externa.

O clima também permanece no radar. A possibilidade de impactos do El Niño sobre as chuvas em grandes regiões produtoras, incluindo Brasil, Índia e Tailândia, mantém os riscos para a oferta global entre os principais fundamentos acompanhados pelos participantes do mercado.
 

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