Açúcar opera em direções opostas nas bolsas de Nova Iorque e Londres nesta quinta-feira
Açúcar opera em direções opostas nas bolsas de Nova Iorque e Londres nesta quinta-feira
Mercado acompanha revisão da StoneX para o déficit global e os impactos das chuvas sobre a colheita no Brasil
Os preços do açúcar operam em direções opostas nas bolsas de Nova Iorque e Londres nesta quinta-feira (24), em uma sessão marcada pela repercussão da nova projeção da StoneX para o balanço global da commodity e pelas condições da safra brasileira.
Por volta das 11h30 (horário de Brasília), o contrato outubro do açúcar em Nova Iorque era negociado a 17,75 cents por libra-peso, com queda de 10 pontos. O contrato março/27 recuava 13 pontos, para 18,67 cents por libra-peso.
Em Londres, o contrato dezembro avançava 270 pontos, para US$ 508,70 por tonelada, enquanto o março/27 subia 210 pontos, negociado a US$ 521,30 por tonelada.
StoneX revisa déficit global
O mercado repercute a revisão divulgada pela StoneX na quarta-feira. A consultoria reduziu de 1,7 milhão para 900 mil toneladas sua estimativa de déficit global de açúcar para a temporada 2026/27.
Para a safra 2025/26, que termina neste mês, a StoneX passou a projetar um superávit de 1,45 milhão de toneladas, ante 2,9 milhões de toneladas estimadas anteriormente.
Segundo a consultoria, as chuvas atípicas de inverno no Centro-Sul do Brasil prejudicaram o ritmo de moagem de cana, além de a qualidade da matéria-prima, medida pelo ATR, ter ficado abaixo do esperado.
Para 2026/27, porém, a expectativa é de uma moagem recorde no Centro-Sul, o que contribuiu para a redução da projeção de déficit. Ainda assim, a StoneX aponta riscos para as safras de importantes produtores, como Índia e Tailândia, além de países da União Europeia, México e América Central.
Chuvas no Brasil continuam no radar
As condições climáticas no Brasil seguem influenciando os negócios. As chuvas recentes no Centro-Sul vêm atrasando a colheita de cana e podem limitar o ritmo de moagem no curto prazo.
A produção de açúcar da região caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica).
Esse cenário tem dado suporte aos preços, principalmente diante da possibilidade de menor disponibilidade de açúcar no mercado físico nas próximas semanas.
Por outro lado, a perspectiva de uma moagem elevada na próxima temporada e a revisão para baixo do déficit global pela StoneX ajudam a limitar o avanço das cotações.
Demanda continua como fator de pressão
O mercado também segue atento aos sinais de demanda. Foram entregues 499.350 toneladas de açúcar referentes ao contrato de outubro em Londres, encerrado na semana passada. O volume foi 91% superior ao registrado um ano antes e ficou entre as maiores entregas já observadas para um contrato de outubro.
O movimento reforçou as preocupações com a demanda física pela commodity e contribuiu para pressionar os preços ao longo da última semana.
O posicionamento dos fundos também permanece no radar. O relatório semanal Commitment of Traders (COT) mostrou que os fundos elevaram em 791 contratos líquidos suas posições compradas em açúcar em Nova Iorque na semana encerrada em 15 de setembro, para 161.342 contratos, maior volume em quase três anos.
Índia e Tailândia
Entre os principais produtores, a situação climática na Índia continua sendo acompanhada de perto. Até 23 de setembro, as chuvas de monção acumulavam déficit de 15% em relação à média, embora a diferença tenha diminuído significativamente em relação aos 42% registrados no fim de junho.
Na Tailândia, a Thai Sugar Millers estima uma queda de 17% na produção de açúcar em 2026/27, para 10 milhões de toneladas.