Petrobras usa óleo de milho na produção de asfalto e já alcança 95 mil toneladas

Óleo técnico de milho, coproduto da produção de etanol, passou a ser utilizado pela Revap, em São José dos Campos (SP), na fabricação de asfalto com conteúdo renovável
Publicado em 23/09/2026 15:47

A Petrobras passou a utilizar óleo técnico de milho (TCO), um insumo residual obtido no processamento de milho para produção de etanol, como matéria-prima na fabricação de asfaltos com conteúdo renovável. A iniciativa começou em junho na Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP), e já resultou na produção de 95 mil toneladas de asfalto.

O TCO utilizado pela companhia é fornecido pela Inpasa e passa a integrar o portfólio de matérias-primas renováveis da Petrobras. O movimento amplia o aproveitamento de produtos e coprodutos da cadeia do milho e aproxima os segmentos de etanol, refino e infraestrutura rodoviária.

O óleo técnico de milho já era utilizado pela Petrobras na produção de combustíveis avançados, como o combustível sustentável de aviação (SAF) e o Diesel R. Agora, a aplicação do insumo na fabricação do CAP Pro R, linha de asfaltos da companhia, amplia as possibilidades de uso da matéria-prima renovável.

Segundo a Petrobras, a iniciativa faz parte da estratégia de ampliar a base de fornecedores de insumos sustentáveis e diversificar as matérias-primas utilizadas nas refinarias.

“Estamos ampliando o leque de matérias-primas renováveis usadas nas refinarias e reforçando a estratégia de diversificação de produtos com menor intensidade de carbono. A Petrobras está investindo em alternativas que agregam valor, reduzem emissões e contribuem para um futuro mais sustentável”, afirma a diretora de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Angélica Laureano.

Óleo de milho ganha novo mercado

Para a Inpasa, a utilização do TCO na produção de asfalto representa uma nova aplicação para um insumo originado na cadeia de produção de etanol de milho.

“O uso em asfalto prova que sustentabilidade e infraestrutura de alta performance caminham juntas”, afirma o diretor de Trading de Mercado Interno, óleo e DDGS da Inpasa, Rafael Verruck.

Segundo o executivo, a aplicação do produto representa um exemplo de aproveitamento de diferentes etapas da cadeia produtiva. “Ver o nosso óleo de milho ser aplicado no asfalto é a economia circular em sua máxima eficiência”, diz.

O TCO é um óleo residual semirrefinado obtido durante o processamento do milho destinado à fabricação de etanol. Com a nova aplicação, a matéria-prima passa a atender também uma demanda ligada à infraestrutura viária.

Asfalto com conteúdo renovável

O CAP Pro R integra a linha de asfaltos da Petrobras desenvolvida com foco em desempenho e sustentabilidade. De acordo com a companhia, o produto busca contribuir para a redução da pegada de carbono ao longo do ciclo de vida do asfalto e ampliar as alternativas disponíveis para o mercado de infraestrutura.

A Petrobras destaca ainda que o cimento asfáltico de petróleo (CAP) não é destinado à queima. Por isso, as principais emissões associadas ao produto ocorrem nas etapas de produção e aplicação. Depois de aplicado, o material mantém o carbono fixado durante sua vida útil.

A utilização do óleo técnico de milho adiciona, nesse processo, uma matéria-prima de origem renovável e cria uma conexão direta entre a cadeia do etanol de milho e o setor de pavimentação.
 

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