Açúcar fecha misto em Nova Iorque e Londres após revisão da StoneX sobre déficit global

Consultoria reduziu de 1,7 milhão para 900 mil toneladas a projeção de déficit mundial de açúcar para 2026/27
Publicado em 23/09/2026 16:09

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Os preços do açúcar fecharam em direções opostas nesta quarta-feira (23) nas bolsas de Nova Iorque e Londres. Em Nova Iorque, o contrato outubro avançou 16 pontos, para 17,75 cents por libra-peso, enquanto, em Londres, o contrato dezembro recuou 190 pontos, a US$ 506,00 por tonelada.

Em Nova Iorque, os preços encontraram suporte nas preocupações com as chuvas no Centro-Sul do Brasil, que vêm atrasando a colheita de cana-de-açúcar. No entanto, o mercado perdeu força ao longo do dia após a StoneX revisar para baixo sua estimativa para o déficit global de açúcar na temporada 2026/27.

A consultoria agora projeta um déficit de 900 mil toneladas, contra 1,7 milhão de toneladas estimadas anteriormente, em julho. Para a temporada 2025/26, que termina neste mês, a StoneX passou a estimar um superávit global de 1,45 milhão de toneladas, ante 2,9 milhões de toneladas na projeção anterior.

Segundo a consultoria, as chuvas atípicas de inverno no Centro-Sul do Brasil prejudicaram o ritmo de moagem na principal região produtora de cana do mundo. Além disso, a qualidade da matéria-prima, medida pelo ATR, ficou abaixo do esperado.

Para 2026/27, porém, a StoneX trabalha com expectativa de moagem recorde no Centro-Sul, o que contribuiu para reduzir a estimativa de déficit global. Ainda assim, a consultoria aponta riscos para a produção na Índia, Tailândia, União Europeia, México e América Central.

Demanda segue como ponto de pressão

A demanda física continua no radar dos operadores. Foram entregues 499.350 toneladas de açúcar referentes ao contrato de outubro em Londres, que expirou na terça-feira da semana passada. O volume representa alta de 91% em relação ao ano anterior e está entre as maiores entregas já registradas para um contrato de outubro, sinalizando menor demanda física pelo produto.

Na terça-feira, os preços chegaram às mínimas de um mês em Nova Iorque e de um mês e meio em Londres. O mercado vinha pressionado na última semana justamente pelas preocupações com a demanda.

Outro ponto de atenção está no posicionamento dos fundos. O relatório semanal Commitment of Traders (COT) mostrou que os fundos elevaram em 791 contratos líquidos suas posições compradas em açúcar em Nova Iorque na semana encerrada em 15 de setembro, para 161.342 contratos — o maior volume em quase três anos. Um posicionamento elevado pode ampliar movimentos de liquidação caso os preços voltem a pressionar.

Oferta global no radar

Apesar da revisão da StoneX, as perspectivas de oferta para 2026/27 continuam trazendo incertezas ao mercado. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit global de 200 mil toneladas, enquanto a StoneX trabalha agora com déficit de 900 mil toneladas.

A Tailândia também preocupa. A Thai Sugar Millers estima que a produção do país possa cair 17% na temporada 2026/27, para 10 milhões de toneladas. Já a Índia enfrenta uma temporada de monções abaixo da média. Até 23 de setembro, o acumulado de chuvas estava 15% abaixo do normal, embora a diferença tenha diminuído significativamente em relação ao déficit de 42% registrado no fim de junho.

No Brasil, a produção de açúcar do Centro-Sul caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica). As chuvas recentes também têm atrasado a colheita e podem manter a oferta mais restrita no curto prazo.

Assim, o mercado segue dividido entre os sinais de menor demanda e as preocupações com a oferta nas principais regiões produtoras, enquanto as novas estimativas para o balanço global de 2026/27 passam a orientar os negócios.

 

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