EUA reduzem em 36% cota de açúcar brasileiro com tarifa menor para 2027
Os Estados Unidos reduziram a quantidade de açúcar brasileiro que poderá entrar no país com tarifa de importação menor no ano fiscal de 2027. O Brasil terá direito a exportar 100 mil toneladas de açúcar bruto de cana dentro da cota tarifária, volume cerca de 36% menor que o patamar tradicional, de aproximadamente 156 mil toneladas, segundo dados da Datagro.
A definição foi divulgada nesta quarta-feira (23) pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O novo ano fiscal norte-americano começa em 1º de outubro de 2026 e termina em 30 de setembro de 2027. A redução representa cerca de 56 mil toneladas a menos para o Brasil dentro do mecanismo que oferece condições tarifárias mais favoráveis. O volume já havia sido estabelecido em julho, quando os Estados Unidos distribuíram inicialmente parte da cota entre os países fornecedores.
Cota total dos EUA
Para o ano fiscal de 2027, os Estados Unidos estabeleceram uma cota de importação de 1,117 milhão de toneladas de açúcar bruto de cana, em equivalente de açúcar bruto. Esse é o volume mínimo que o país se compromete a disponibilizar sob as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Em julho, 1,061 milhão de toneladas foram distribuídas entre os países fornecedores. Restavam, portanto, 55.993 toneladas para uma segunda rodada de alocação.
Na decisão divulgada nesta semana, esse saldo foi repartido entre outros países, sem acréscimo para o Brasil. Com isso, a cota brasileira permaneceu em 100 mil toneladas.Entre os países que receberam volumes adicionais estão República Dominicana, Filipinas e Austrália. Também houve distribuição para países da América Latina, como Argentina, Peru e Colômbia.
O que muda para o açúcar brasileiro
A chamada cota tarifária (TRQ) permite que determinados volumes de açúcar sejam importados pelos Estados Unidos com uma tarifa menor.
Quando as exportações ultrapassam o limite estabelecido para cada país, o produto fica sujeito a uma tarifa de importação mais elevada, o que reduz a competitividade da operação.
A cota destinada ao Brasil poderá ser utilizada a partir de 1º de outubro de 2026.
A redução tem impacto especialmente para os produtores e usinas do Nordeste, que tradicionalmente utilizam esse mecanismo para acessar o mercado norte-americano em condições tarifárias diferenciadas.
Apesar da diminuição, o efeito sobre o volume total das exportações brasileiras de açúcar tende a ser limitado, uma vez que o mercado norte-americano representa uma parcela pequena dos embarques brasileiros. O impacto é mais concentrado sobre os agentes que utilizam a cota preferencial para acessar os Estados Unidos.
A decisão ocorre em um mercado global que segue acompanhado de perto pelo setor. A Datagro projeta déficit mundial de açúcar de 3,17 milhões de toneladas na safra 2026/27, após uma estimativa de superávit de 570 mil toneladas em 2025/26.