Açúcar opera sob pressão em Nova Iorque com demanda fraca no radar

Publicado em 28/09/2026 12:28
Contratos mais próximos recuam em Nova Iorque, enquanto Londres avança; mercado também monitora revisão do déficit global e impactos das chuvas sobre a oferta

O açúcar opera em direções opostas nas bolsas de Nova Iorque e Londres nesta segunda-feira (28), com os contratos mais próximos pressionados em Nova Iorque, enquanto Londres registra alta. O mercado acompanha os sinais de demanda física mais fraca e as perspectivas para a oferta global, após uma semana de pressão sobre as cotações.

Por volta das 12h (horário de Brasília), o contrato outubro do açúcar em Nova Iorque era negociado a 17,39 centavos de dólar por libra-peso, com recuo de 11 pontos. Já o contrato março de 2027 avançava 5 pontos, para 18,55 centavos de dólar por libra-peso.

Em Londres, o contrato dezembro era negociado a US$ 503,80 por tonelada, alta de 120 pontos, enquanto o março de 2027 subia 180 pontos, para US$ 517,00 por tonelada.

Demanda física continua no radar

O comportamento das cotações ocorre após uma semana de pressão sobre os preços. Na terça-feira, o açúcar em Nova Iorque atingiu a menor cotação em um mês, enquanto Londres recuou ao menor nível em um mês e meio.

As preocupações com a demanda ganharam força após o vencimento do contrato outubro em Londres, que registrou entrega de 499.350 toneladas de açúcar. O volume ficou 91% acima do registrado um ano antes e entre os maiores já observados para um contrato com vencimento em outubro.

A entrega elevada foi interpretada pelo mercado como um sinal de demanda física mais fraca e contribuiu para limitar a recuperação dos preços ao longo da semana.

O posicionamento dos fundos também permanece no radar. O relatório semanal Commitment of Traders (COT) mostrou que os fundos ampliaram em 791 contratos líquidos suas posições compradas em açúcar em Nova Iorque na semana encerrada em 15 de setembro. O total chegou a 161.342 contratos, maior volume em quase três anos.

A concentração elevada de posições compradas também aumenta a atenção para possíveis movimentos de liquidação caso o mercado continue sob pressão.

StoneX reduz projeção de déficit global

Outro fator que pesa sobre as cotações é a revisão da StoneX para o balanço global de açúcar em 2026/27. A consultoria reduziu sua estimativa de déficit de 1,7 milhão para 900 mil toneladas.

A revisão considera, entre outros fatores, a expectativa de uma moagem recorde de cana no Centro-Sul do Brasil na próxima temporada.

Para 2025/26, que termina neste mês, a StoneX agora projeta superávit global de 1,45 milhão de toneladas, abaixo das 2,9 milhões de toneladas estimadas anteriormente.

Apesar da redução, outras projeções ainda apontam para um mercado deficitário na próxima temporada. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) estima déficit de 200 mil toneladas em 2026/27, após um superávit de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.

Chuvas e produção mundial limitam pressão

Do lado da oferta, os riscos climáticos continuam dando suporte ao mercado e ajudam a limitar uma pressão mais intensa sobre os preços.

No Brasil, as chuvas no Centro-Sul vêm atrasando o avanço da colheita e da moagem de cana. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostram que a produção de açúcar na região caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

A menor disponibilidade de cana e os impactos do clima sobre o ritmo da safra seguem como pontos de atenção para o mercado, especialmente diante da expectativa de uma oferta mais restrita no curto prazo.

Na Índia, o acumulado das chuvas de monção estava 15% abaixo da média até 23 de setembro. O país também autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifa até 31 de outubro, em um movimento que pode ampliar a disponibilidade no mercado interno.

Na Tailândia, a Thai Sugar Millers estima uma redução de 17% na produção de açúcar em 2026/27, para 10 milhões de toneladas.
 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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