Açúcar ganha força após UE reduzir previsão para produção de beterraba
Os preços do açúcar fecharam em alta nesta terça-feira (29), com Nova Iorque recuperando parte das perdas recentes e Londres atingindo a maior cotação em uma semana. O movimento foi sustentado principalmente por preocupações com a oferta, após a União Europeia reduzir a estimativa para a produtividade da beterraba sacarina em 2026.
Em Nova Iorque, o contrato outubro subiu 36 pontos e terminou a sessão a 17,82 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o contrato dezembro do açúcar branco avançou 1,50 ponto, para US$ 509,50 por tonelada.
Um dos principais fatores de suporte nesta sessão veio da Europa. A unidade de Monitoramento de Recursos Agrícolas (MARS), da União Europeia, reduziu sua estimativa para a produtividade da beterraba sacarina no bloco em 2026, de 72,2 para 67,4 toneladas por hectare.
A revisão foi atribuída às condições de seca em algumas áreas produtoras, aumentando as preocupações com a disponibilidade de açúcar na próxima temporada.
Apesar da alta desta terça-feira, as cotações continuam oscilando dentro de uma faixa relativamente ampla observada nas últimas semanas.
Em Nova Iorque, o mercado ainda está entre a mínima de um mês registrada na semana passada e a máxima de 17,5 meses alcançada em 10 de setembro.
Déficit global mantém suporte aos preços
O mercado segue encontrando sustentação nas perspectivas de um balanço global mais apertado para 2026/27.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) estima produção mundial de 180,1 milhões de toneladas na próxima temporada, queda de 1% em relação a 2025/26, e projeta déficit de 200 mil toneladas. Para a temporada atual, a entidade calcula produção recorde de 182 milhões de toneladas e superávit de 1,1 milhão de toneladas.
A Covrig Analytics também trabalha com déficit global de 300 mil toneladas em 2026/27, enquanto a Czarnikow estima um déficit de 2,9 milhões de toneladas para 2027/28.
Na Tailândia, a Thai Sugar Millers prevê queda de 17% na produção de açúcar em 2026/27, para 10 milhões de toneladas. O país é um dos principais exportadores mundiais da commodity.
Índia e Brasil seguem no radar
As condições climáticas na Índia também continuam sendo acompanhadas pelos participantes do mercado. O acumulado das chuvas de monção estava 12% abaixo da média até 28 de setembro, embora tenha apresentado melhora significativa em relação ao déficit de 42% registrado até o fim de junho.
O Departamento Meteorológico da Índia mantém o alerta de que a temporada de monções deste ano pode ser uma das mais fracas dos últimos 17 anos.
Ao mesmo tempo, o governo indiano autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifa até 31 de outubro. A medida pode aumentar a disponibilidade interna no país e reduzir a necessidade de oferta doméstica.
No Brasil, a queda na produção do Centro-Sul continua sendo um fator de suporte para as cotações. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostraram queda de 26,3% na produção de açúcar da região em junho, para 3,903 milhões de toneladas.
O risco climático associado ao El Niño também permanece no radar, principalmente pelos possíveis impactos sobre as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia.