Açúcar dispara nas bolsas nesta 3ª feira (13) com temor de El Niño sobre a oferta global

Publicado em 13/10/2026 16:07 e atualizado em 13/10/2026 16:56
Março em NY sobe 1,25% e encerra sessão a 21,11 cent/lb; preocupações com a oferta global seguem no radar

Os preços do açúcar fecharam em alta nesta terça-feira (13) nas bolsas internacionais, sustentados pelas compras de fundos de investimento e pelas preocupações com a oferta mundial diante dos riscos climáticos associados ao El Niño. As cotações terminaram o pregão pouco abaixo das máximas registradas na semana passada, quando os contratos atingiram os maiores níveis em 19 meses em Nova Iorque e em 22 meses em Londres.

Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de açúcar bruto para março de 2027 avançou 26 pontos, alta de 1,25%, e fechou a 21,11 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro subiu 120 pontos, encerrando a sessão a US$ 561,90 por tonelada.

O mercado continua atento às condições climáticas nas principais regiões produtoras e às perspectivas de redução da oferta. No Brasil, as chuvas persistentes no Centro-Sul atrasaram a colheita da cana-de-açúcar e interromperam a moagem em usinas, limitando a disponibilidade do produto no curto prazo.

A movimentação dos fundos de investimento tem dado suporte às cotações. Segundo o relatório semanal Commitment of Traders, divulgado na última sexta-feira, os fundos ampliaram em 60.442 contratos suas posições compradas em açúcar em Nova Iorque na semana encerrada em 6 de outubro.

Com isso, a posição comprada líquida alcançou 212.559 contratos, o maior volume em mais de três anos. O aumento das apostas na valorização da commodity reforça o movimento de alta nas bolsas.

Déficit global mantém pressão sobre a oferta

As projeções de um balanço global mais apertado também sustentam os preços. Em setembro, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) estimou déficit mundial de 200 mil toneladas para a safra 2026/27, após um superávit projetado de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.

A perspectiva de menor produção na Tailândia, segundo maior exportador mundial, também preocupa os participantes do mercado. A Thai Sugar Millers Corp. estimou que a produção do país poderá recuar 17% na temporada 2026/27, para 10 milhões de toneladas.

Outras consultorias apontam um cenário de oferta restrita. Em agosto, a Covrig Analytics projetou déficit global de 300 mil toneladas em 2026/27, revertendo a estimativa anterior de superávit de 100 mil toneladas. Já a Czarnikow prevê déficit de 2,9 milhões de toneladas em 2027/28 e redução de 0,7% na produção mundial, para 177 milhões de toneladas, em meio a desafios climáticos em países produtores e à possibilidade de maior direcionamento da cana brasileira para a produção de etanol.

El Niño

Os riscos climáticos ganharam força após a Agência Meteorológica do Japão informar que a temperatura da superfície do Pacífico tropical ficou cerca de 4°C acima da média em setembro, o maior nível registrado desde 1949. A agência prevê 100% de probabilidade de persistência do El Niño durante o inverno do Hemisfério Norte, com continuidade até o primeiro trimestre de 2027.

O fenômeno pode alterar os padrões de chuva e temperatura em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia. O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos também alertou para a possibilidade de o episódio estar entre os mais intensos em mais de 75 anos, aumentando os riscos de secas, chuvas excessivas e oscilações de temperatura.

Na Índia, o acumulado de chuvas de monção entre junho e setembro ficou 12,6% abaixo da média até 30 de setembro, segundo o Departamento Meteorológico do país. Esse foi o menor volume relativo em 11 anos, um fator de atenção para a produção do segundo maior produtor mundial de açúcar.

Em agosto, o governo indiano autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro. A decisão representa uma mudança importante para um país que normalmente exporta o produto e sinaliza preocupação com a disponibilidade interna.

No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, os dados de produção reforçam as preocupações com a oferta. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) informou que a produção de açúcar no Centro-Sul caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

A combinação entre atrasos na moagem brasileira, riscos climáticos nas principais origens e projeções de déficit global mantém os preços sustentados. Os próximos movimentos dependerão, entre outros fatores, da evolução das condições meteorológicas e dos efeitos sobre a produção e o processamento da cana-de-açúcar.

Fonte: Notícias Agrícolas

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