Açúcar encerra semana em alta com suporte do petróleo e moeda brasileira

Publicado em 24/04/2026 16:20
Valorização do real, menor excedente global e maior direcionamento da cana para etanol sustentam cotações nas bolsas internacionais

Logotipo Notícias Agrícolas

A semana terminou com valorização para os preços do açúcar nas principais bolsas internacionais, refletindo um conjunto de fatores que seguem no radar do mercado sucroenergético: câmbio, petróleo e ajustes nas projeções de oferta global.

Nesta sexta-feira (24), o contrato maio do açúcar bruto em Nova York avançou 33 pontos, encerrando cotado a 14,11 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco registrou alta mais expressiva, subindo 780 pontos e fechando a US$ 428,00 por tonelada.

Com isso, os preços estenderam os ganhos da semana, com Nova York atingindo o maior nível em sete dias e Londres renovando máximas em duas semanas. O movimento reflete, principalmente, o reposicionamento de fundos e investidores diante de mudanças no cenário macroeconômico e fundamental.

A valorização recente do real frente ao dólar tem sido um dos principais vetores de sustentação. A moeda brasileira atingiu os maiores níveis em cerca de dois anos, reduzindo a atratividade das exportações e incentivando o fechamento de posições vendidas por parte de players internacionais. Esse cenário tende a restringir a oferta externa, especialmente considerando o peso do Brasil como maior exportador global de açúcar.

No campo fundamental, o mercado também reagiu às revisões nas estimativas de produção e balanço global. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que a safra 2026/27 do Brasil alcance 42,5 milhões de toneladas, queda de cerca de 3% em relação ao ciclo anterior. A redução está diretamente ligada ao maior direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de etanol, movimento que ganha força em momentos de preços mais elevados dos combustíveis.

Além disso, consultorias internacionais vêm reduzindo suas projeções de excedente global. A Covrig Analytics revisou sua estimativa para 2026/27 de 1,4 milhão para 800 mil toneladas, enquanto a Czarnikow também ajustou seus números, reduzindo o superávit projetado tanto para 2025/26 quanto para 2026/27. Esse enxugamento do balanço global reforça a percepção de um mercado menos folgado, oferecendo suporte adicional às cotações.

No Brasil, o início da safra 2026/27 no Centro-Sul também entra no radar dos agentes. Apesar de um começo mais lento em algumas regiões devido a condições climáticas, a expectativa é de uma moagem robusta ao longo da temporada. Ainda assim, o mix de produção, ou seja, a proporção de cana destinada ao açúcar versus etanol será determinante para o comportamento dos preços. Com margens mais atrativas no biocombustível, há tendência de manutenção de um mix mais alcooleiro, limitando a produção do adoçante.
Petróleo segue como principal vetor de suporte

O avanço do petróleo continua sendo peça-chave para o mercado de açúcar. O barril do tipo Brent voltou a subir e alcançou o maior patamar em mais de duas semanas, sendo negociado acima de US$ 106, com valorização superior a 4% no período.

A relação é direta: com o petróleo mais caro, o etanol se torna mais competitivo frente à gasolina, especialmente no Brasil. Isso incentiva as usinas a direcionarem uma parcela maior da cana para a produção de biocombustível, reduzindo a oferta de açúcar no mercado internacional.
Esse cenário reforça o viés de sustentação para os preços, em um momento em que o mercado também monitora fatores como clima nas principais regiões produtoras, demanda global e o comportamento dos fundos especulativos nas bolsas.

Dessa forma, as cotações seguem sensíveis ao equilíbrio entre oferta e demanda, com o mercado da cana-de-açúcar cada vez mais integrado aos movimentos de energia e câmbio, consolidando um ambiente de maior volatilidade, mas também de oportunidades para os agentes do setor.
 

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Clique Aqui para receber em primeira mão as principais notícias do agronegócio
Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

Ao continuar com o cadastro, você concorda com nosso Termo de Privacidade e Consentimento e a Política de Privacidade.

0 comentário