Mix açucareiro deve chegar a 49,5% em 2027/28 e impulsionar produção de açúcar no Centro-Sul, estima Rabobank

Publicado em 05/11/2026 14:29
Produção do adoçante deve alcançar 42,6 milhões de toneladas, alta de 13,9% em relação à safra anterior, com maior direcionamento da cana para açúcar em detrimento do etanol.

A participação da cana-de-açúcar destinada à produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil deverá aumentar na safra 2027/28, alcançando 49,5% do total processado, em detrimento do etanol. A projeção do Rabobank considera preços mais favoráveis para o adoçante e uma recuperação da moagem de cana na principal região produtora do país.

Com esse direcionamento da matéria-prima, a produção de açúcar do Centro-Sul foi estimada pelo banco em 42,6 milhões de toneladas no ciclo 2027/28 (abril a março), crescimento de 13,9% em relação às 37,4 milhões de toneladas projetadas para a temporada anterior.

A moagem de cana-de-açúcar também deverá avançar, passando de 630 milhões de toneladas no ciclo atual para 655 milhões de toneladas em 2027/28. Segundo o Rabobank, as chuvas excessivas associadas ao El Niño têm prejudicado o andamento da safra atual, mas também devem deixar um volume maior de matéria-prima nos campos para o próximo ciclo.

Preços mais altos favorecem o açúcar

Além da expectativa de maior disponibilidade de cana, o cenário de preços também contribui para a perspectiva de um mix mais açucareiro. Para 2027, o Rabobank projeta que as cotações do açúcar bruto fiquem entre 17 e 19 centavos de dólar por libra-peso, acima dos 16 centavos registrados como referência para 2026.

A expectativa considera um mercado global deficitário em aproximadamente 2 milhões de toneladas na safra 2026/27 (outubro a setembro).

As condições climáticas no Brasil também têm influenciado as perspectivas para o mercado internacional. Com as chuvas afetando a safra atual, o Rabobank aponta uma redução da disponibilidade brasileira para exportação no primeiro semestre de 2027. Esse cenário, combinado com safras menores na Índia e na

Tailândia, levou os preços do açúcar na Bolsa de Nova York a ultrapassarem 19 centavos de dólar por libra-peso.

O patamar foi considerado pelo banco como um nível "inimaginável" no início da temporada no Centro-Sul.

Perspectiva pode estimular investimentos no setor

Para Andy Duff, gerente do departamento de Pesquisa Setorial do Rabobank, a combinação de preços mais elevados em 2027 e possibilidade de uma produção maior no Centro-Sul pode oferecer algum alívio financeiro às usinas e abrir espaço para novos investimentos.

"O produtor tem seus desafios em termos de custos, tem a escala seis por um (da jornada de trabalho) que impacta as usinas... todos estão fazendo cálculos. Mas (o preço estimado) dá mais conforto para fazer investimentos em plantio", afirmou durante apresentação dos números a jornalistas.

O executivo ponderou, no entanto, que os custos operacionais continuam em alta e que ainda não é possível afirmar se os preços projetados serão suficientes para desencadear um novo ciclo de investimentos no setor.

"Sabemos que o custo das operações está subindo, dá mais fôlego... Não sei se (esse preço) vai ser suficiente para provocar mais um ciclo de investimento, (mas) obviamente, as empresas mais bem posicionadas podem investir mais", avaliou.

Duff também destacou oportunidades de diversificação dos negócios, com investimentos em unidades de biometano e de etanol de milho próximas às usinas de cana-de-açúcar.

"Talvez a perspectiva de uma safra boa abra mais espaço para esse tipo de investimento", concluiu.
 

Fonte: Notícias Agrícolas

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