Produção de açúcar do centro-sul pode crescer 13,9% em 2027/28, prevê Rabobank

Publicado em 04/11/2026 13:46 | Atualizado em 04/11/2026 15:31

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Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 4 Nov (Reuters) - A produção de açúcar do centro-sul do Brasil em 2027/28 (abril/março) foi estimada nesta quarta-feira em 42,6 milhões de toneladas, crescimento de 13,9% em relação ao volume de 37,4 milhões no ciclo anterior, em meio à expectativa de aumento na moagem de cana-de-açúcar e preços mais altos para o adoçante, de acordo com avaliação do Rabobank.

A moagem de cana-de-açúcar da principal região produtora do mundo em 2027/28 foi prevista em 655 milhões de toneladas, ante 630 milhões no ciclo atual, prejudicada pelas chuvas excessivas associadas ao fenômeno El Niño, o que deverá deixar volume maior da matéria-prima nos campos para a próxima safra.

Para 2027, o Rabobank projeta preços do açúcar bruto entre 17 e 19 centavos de dólar por libra-peso, ante 16 centavos em 2026, já que o banco projeta um mercado global deficitário em cerca de 2 milhões de toneladas em 2026/27 (outubro/setembro).

Devido às chuvas que afetam a safra atual no Brasil, o Rabobank apontou menor disponibilidade para exportação do país no primeiro semestre de 2027. Isso, associado a menores safras na Índia e Tailândia, impulsionou os preços na bolsa de Nova York para mais de 19 centavos de dólar por libra-peso, "um nível inimaginável" no início da temporada no centro-sul, afirmou o banco.

Para o gerente do departamento de Pesquisa Setorial do Rabobank, Andy Duff, o cenário de preços mais altos em 2027 e maior produção no centro-sul, caso confirmado, pode dar algum fôlego para o setor no país, maior produtor e exportador de açúcar.

"O produtor tem seus desafios em termos de custos, tem a escala seis por um (da jornada de trabalho) que impacta as usinas... todos estão fazendo cálculos. Mas (o preço estimado) dá mais conforto para fazer investimentos em plantio", disse ele, ao apresentar os números a jornalistas.

"Sabemos que o custo das operações está subindo, dá mais fôlego... Não sei se (esse preço) vai ser suficiente para provocar mais um ciclo de investimento, (mas) obviamente, as empresas mais bem posicionadas podem investir mais", disse ele, comentando que indústrias poderiam buscar também mais resiliência diversificando com investimentos para unidades de biometano e de etanol de milho próximas às usinas de cana.

"Talvez a perspectiva de uma safra boa abra mais espaço para esse tipo de investimento", afirmou Duff.

Na estimativa de produção de açúcar, o Rabobank considera que o setor deverá destinar 49,5% da cana para a produção do adoçante em 2027/28, um "mix" maior do que o verificado até o momento no acumulado da safra 2026/27, em detrimento do etanol.

CAFÉ

Para a safra brasileira, já colhida neste ano, o Rabobank manteve uma estimativa de recorde de 73,3 milhões de sacas, sendo 48,7 milhões de arábica e o restante, de canéforas.

Do total, as exportações do país estão estimadas entre 42 milhões e 45 milhões de sacas no ano comercial (2026/27), versus 38,5 milhões no ciclo anterior.

O consumo brasileiro no período foi visto em 21,8 milhões de sacas, versus 21,4 milhões no ano anterior.

(Por Roberto Samora; edição de Marta Nogueira)

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