Açúcar recua em Nova Iorque com demanda no radar e fecha em alta em Londres

Publicado em 24/09/2026 16:07 e atualizado em 24/09/2026 17:34
Pressão da demanda derruba contrato em Nova Iorque, enquanto Londres avança após perdas recentes

Os preços do açúcar fecharam em direções opostas nesta quinta-feira (24) nas bolsas de Nova Iorque e Londres. Em Nova Iorque, o contrato outubro recuou 17 pontos, para 17,59 cents por libra-peso, pressionado principalmente pelas preocupações com a demanda. Em Londres, o contrato dezembro subiu 390 pontos, para US$ 509,90 por tonelada.

Em Nova Iorque, o mercado encontrou pressão adicional nas perspectivas de entrega do contrato com vencimento na próxima semana. Segundo a McDougall Global Views, o volume atual de contratos em aberto indica que a entrega pode chegar a cerca de 1,8 milhão de toneladas, acima da média dos últimos seis anos. O cenário é interpretado como mais um sinal de demanda física enfraquecida.

A pressão sobre os preços também veio da revisão feita pela StoneX na quarta-feira. A consultoria reduziu de 1,7 milhão para 900 mil toneladas sua estimativa de déficit global de açúcar para a temporada 2026/27.

Demanda pesa sobre Nova Iorque

As preocupações com o consumo vêm pressionando as cotações desde a semana passada. Na terça-feira, o açúcar em Nova Iorque atingiu a mínima de um mês, enquanto Londres chegou à menor cotação em um mês e meio.

Na semana passada, foram entregues 499.350 toneladas de açúcar referentes ao contrato de outubro em Londres, volume 91% superior ao registrado um ano antes e entre os maiores já observados para um contrato de outubro. O movimento reforçou os sinais de menor demanda física pelo produto.

O posicionamento dos fundos também permanece no radar. O relatório semanal Commitment of Traders (COT) mostrou que os fundos elevaram em 791 contratos líquidos suas posições compradas em açúcar em Nova Iorque na semana encerrada em 15 de setembro, para 161.342 contratos, o maior volume em quase três anos.

Uma concentração elevada de posições compradas pode aumentar a pressão sobre as cotações caso os fundos acelerem a realização de lucros ou a liquidação de posições.

StoneX reduz déficit para 2026/27

Apesar da pressão da demanda, os fundamentos de oferta continuam dando sustentação ao mercado. A StoneX passou a estimar um déficit global de 900 mil toneladas em 2026/27, abaixo das 1,7 milhão de toneladas projetadas anteriormente.

Para a temporada 2025/26, que termina neste mês, a consultoria estima agora um superávit de 1,45 milhão de toneladas, contra 2,9 milhões de toneladas na previsão anterior.

A revisão considera a expectativa de moagem recorde no Centro-Sul do Brasil na próxima temporada. Ao mesmo tempo, a StoneX aponta riscos para as safras da Índia, Tailândia, União Europeia, México e América Central.

A Organização Internacional do Açúcar (ISO), por sua vez, trabalha com déficit global de 200 mil toneladas em 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas na temporada 2025/26.

Clima mantém incertezas sobre oferta

As condições climáticas continuam sendo acompanhadas pelos operadores. No Brasil, as chuvas no Centro-Sul têm atrasado a colheita e a moagem de cana. A produção de açúcar da região caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica).

Na Índia, o acumulado da temporada de monções estava 15% abaixo da média até 23 de setembro. O país também autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifa até 31 de outubro.

Na Tailândia, a Thai Sugar Millers estima queda de 17% na produção em 2026/27, para 10 milhões de toneladas.

Dessa forma, enquanto as perspectivas de oferta e os impactos das condições climáticas seguem dando suporte aos preços, os sinais de demanda mais fraca e a revisão para baixo das estimativas de déficit global continuam limitando o avanço das cotações, especialmente em Nova Iorque.
 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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