Trigo fecha em alta em Chicago e acende alerta para custos no Brasil

Publicado em 20/04/2026 16:59
Valorização nos contratos futuros reforça pressão sobre importações e exige atenção redobrada do setor tritícola brasileiro


 

O mercado internacional de trigo encerrou o pregão desta segunda-feira (20), em alta na Bolsa de Chicago, refletindo um cenário de ajustes técnicos e preocupações com a oferta global. O movimento impacta diretamente o Brasil, que depende de importações para equilibrar o abastecimento interno e formar preços ao longo da cadeia.

Entre os principais contratos futuros, o vencimento maio/2026 fechou cotado a US$ 5,97 por bushel, com alta de 6 pontos. Já o contrato julho/2026, referência mais acompanhada pelo mercado, encerrou a US$ 6,06 por bushel, com valorização de 6 pontos. Para setembro/2026, o fechamento foi de US$ 6,18 por bushel, registrando alta de 7 pontos.

A elevação nos preços ocorre em um momento de incertezas quanto à oferta global, especialmente em regiões produtoras relevantes do Hemisfério Norte, onde o clima segue como fator de risco para o desenvolvimento das lavouras de inverno. Além disso, o mercado também reage a ajustes técnicos após recentes quedas, com investidores recompondo posições.

Para o Brasil, o movimento de alta em Chicago representa um sinal de atenção. Como grande importador, principalmente da Argentina, o país pode sentir reflexos nos custos de aquisição, sobretudo em um momento em que o câmbio também influencia diretamente a formação de preços internos. Isso impacta desde a indústria moageira até o setor canavieiro e demais cadeias que utilizam derivados do trigo.

De acordo com análises de mercado e dados de órgãos como a Conab, o cenário para o trigo em 2026 já é considerado desafiador, com margens pressionadas e necessidade de maior eficiência produtiva. O avanço das cotações internacionais, portanto, reforça a importância de estratégias de comercialização bem estruturadas por parte dos agentes do setor.

No campo, o produtor brasileiro deve acompanhar de perto não apenas o comportamento da Bolsa de Chicago, mas também fatores como câmbio, clima local e demanda interna, que juntos definem as oportunidades de venda e travamento de preços ao longo da safra.

 

Por: Priscila Alves I Instagram: @priscilaalvestv
Fonte: Notícias Agrícolas

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