Trigo dispara mais de 7% em Chicago e mercado entra em alerta com nova projeção do USDA

Publicado em 12/05/2026 17:14
Relatório do governo americano reduz estoques globais e reforça preocupação com oferta mundial, enquanto atraso no plantio brasileiro mantém tensão no mercado

O mercado do trigo encerrou esta terça-feira (12) em forte alta na Bolsa de Chicago, após a divulgação do novo relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que trouxe números considerados altistas para o cereal e acelerou o movimento comprador entre os fundos de investimento. 

No fechamento da sessão,os principais contratos futuros registraram fortes ganhos:

O julho/26 encerrou a US$ 6,79/bu, avançando 450 pontos.
O setembro/26 terminou negociado a US$ 6,91/bu, com valorização de 426 pontos.
Já o dezembro/26 fechou a US$ 7,10/bu, acumulando ganho de 402  pontos.

O principal fator de sustentação do mercado foi o relatório do USDA para a safra 2026/27, divulgado nesta terça-feira, que apontou estoques finais americanos abaixo das expectativas do mercado e redução nos estoques globais de trigo. O cenário reforçou a percepção de oferta mais ajustada no cenário internacional e provocou uma forte reação em Chicago. 

Além dos números do USDA, o mercado também repercutiu problemas climáticos em importantes regiões produtoras. Nos Estados Unidos, áreas de trigo de inverno seguem enfrentando preocupação com seca e irregularidade climática, especialmente nas Planícies americanas. Já no Brasil, o atraso no plantio da safra de inverno no Sul do país continua no radar dos compradores e investidores. 

A lentidão da semeadura brasileira ocorre principalmente no Paraná e no Rio Grande do Sul, estados que concentram a maior parte da produção nacional. O mercado acompanha o risco climático para a janela ideal de plantio, fator que pode impactar produtividade e qualidade da próxima safra. 

Outro ponto que deu suporte às cotações foi o cenário internacional mais apertado para exportação. A demanda global segue aquecida, enquanto países exportadores importantes enfrentam incertezas de produção e redução de área plantada, caso da Austrália. Além disso, o mercado monitora constantemente a competitividade do trigo russo e os desdobramentos geopolíticos na região do Mar Negro. 

No mercado físico brasileiro, os preços seguem firmes, sustentados pela oferta mais restrita e pela cautela dos vendedores. Moinhos continuam buscando trigo de melhor qualidade no mercado interno, enquanto parte dos produtores ainda segura negócios esperando preços mais altos diante da valorização em Chicago e do dólar. 
 

Por: Priscila Alves I instagram: @priscilaalvestv
Fonte: Notícias Agrícolas

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