Trigo fecha em alta em Chicago nesta 4ª feira
Os contratos futuros do trigo encerraram a quarta-feira (17) em alta na Bolsa de Chicago (CBOT), ampliando o movimento de recuperação observado nos últimos dias. O mercado encontrou suporte em compras técnicas, cobertura de posições vendidas e na crescente preocupação com fatores climáticos que podem afetar importantes regiões produtoras ao redor do mundo.
Fechamento dos contratos
Julho/26: US$ 6,12/bushel, com alta de 16,50 pontos.
Setembro/26: US$ 6,21/bushel, com alta de 17,00 pontos.
Dezembro/26: US$ 6,36/bushel, com alta de 15,00 pontos.
Clima volta ao centro das atenções
A valorização em Chicago ocorre em um momento em que o mercado monitora as condições climáticas nas principais regiões produtoras do Hemisfério Norte e também os riscos para a safra brasileira.
Segundo análise do Itaú BBA, a formação do fenômeno El Niño representa um fator de preocupação para o trigo brasileiro, especialmente na Região Sul, principal polo produtor do país. O banco destaca que temperaturas mais elevadas durante o inverno podem prejudicar o desenvolvimento da cultura, enquanto chuvas excessivas favorecem a ocorrência de doenças como giberela, germinação na espiga e perda da qualidade dos grãos.
No Centro-Oeste, onde parte da produção é irrigada, a irregularidade das chuvas também pode comprometer a produtividade em fases críticas do ciclo produtivo.
Plantio avança, mas produção deve recuar
Apesar das boas condições de semeadura observadas nas últimas semanas, as projeções para a safra nacional seguem apontando redução na produção.
Dados divulgados recentemente pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam uma safra de aproximadamente 6,3 milhões de toneladas em 2026, volume cerca de 20% inferior ao registrado em 2025. A redução está ligada à menor área cultivada e às incertezas relacionadas à rentabilidade da cultura.
Ao mesmo tempo, a oferta disponível no mercado físico continua limitada. Produtores mantêm postura cautelosa nas negociações, aguardando melhores oportunidades de comercialização, cenário que tem sustentado os preços internos.
Mercado brasileiro segue firme
Mesmo com a volatilidade internacional, o mercado brasileiro permanece sustentado pela escassez de trigo disponível para pronta entrega e pela baixa liquidez nos negócios.
Moinhos continuam encontrando dificuldades para adquirir lotes de qualidade, enquanto vendedores seguem retraídos. Esse comportamento tem mantido os preços domésticos em patamares firmes, especialmente nos estados do Sul.
Além disso, o acompanhamento das condições climáticas para a safra recém-semeada ganha importância crescente, já que qualquer problema de produtividade ou qualidade poderá aumentar a necessidade de importações nos próximos meses.
O mercado encerra o dia atento não apenas ao comportamento das bolsas internacionais, mas também ao desenvolvimento da nova safra brasileira, que começa a definir o cenário de oferta para a temporada 2026/27.