Trigo abre em leve alta em Chicago e mantém suporte nas tensões no Mar Negro
Os contratos futuros do trigo iniciaram a sessão desta quinta-feira (23) com leves altas na Bolsa de Chicago (CBOT), mantendo parte da forte valorização registrada no pregão anterior. O mercado continua sustentado pelas preocupações com o fluxo das exportações no Mar Negro e pela expectativa de uma oferta mais enxuta entre alguns dos principais produtores mundiais.
Por volta das 5h05 (horário de Chicago), o contrato setembro/26 era negociado a US$ 7,07 por bushel, com alta de 1,50 ponto. O dezembro/26 subia 1 ponto, cotado a US$ 7,23 por bushel, enquanto o março/27 avançava 1 ponto, para US$ 7,38 por bushel.
No pregão anterior, os contratos do cereal avançaram mais de 4% após novos ataques russos à infraestrutura portuária na região de Odessa. Segundo informações do Ministério da Defesa da Rússia, instalações portuárias e militares foram alvo das ofensivas, renovando as preocupações do mercado sobre possíveis impactos no fluxo de exportações de grãos pelo Mar Negro, uma das principais rotas de abastecimento mundial.
Além do cenário geopolítico, as perspectivas de uma oferta menor continuam dando sustentação às cotações. Durante a expedição anual pelas lavouras de trigo de primavera em Dakota do Norte, nos Estados Unidos, os primeiros levantamentos indicaram produtividade média de 46 bushels por acre na porção sul do estado, cerca de 8% inferior à registrada na mesma região no ano passado. De acordo com a consultoria AgResource, a intensa onda de calor observada na última semana reduziu o potencial produtivo da safra de trigo de primavera, reforçando as expectativas de menores rendimentos.
Outro fator acompanhado pelo mercado é a Rússia. A consultoria SovEcon revisou para baixo sua estimativa para a safra de trigo 2026/27 do país, reduzindo a projeção de 88,9 milhões para 88,3 milhões de toneladas. O ajuste reflete a piora das condições das lavouras no sul russo, especialmente na região de Krasnodar, além da revisão da área cultivada.
Com esse cenário, os investidores seguem monitorando tanto os riscos geopolíticos envolvendo o Mar Negro quanto o desenvolvimento das lavouras nos principais países produtores. A combinação entre incertezas sobre as exportações e perspectivas de uma oferta mais restrita mantém o mercado internacional do trigo sustentado neste início de sessão.