Trigo encerra em queda em Chicago, mas demanda brasileira fortalece mercado argentino
Os contratos futuros do trigo fecharam esta segunda-feira (27) em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), pressionados por realização de lucros após as fortes altas registradas na semana passada e pela expectativa de uma oferta global ainda confortável, apesar das incertezas geopolíticas envolvendo a região do Mar Negro.
No fechamento, o contrato setembro/26 encerrou cotado a US$ 6,60 por bushel, com queda de 18 pontos. O dezembro/26 fechou a US$ 6,77 por bushel, recuando 18 pontos, enquanto o março/27 terminou o dia a US$ 6,93 por bushel, com perda de 17,75 pontos.
Embora as cotações internacionais tenham recuado, o mercado sul-americano segue atento ao comportamento da demanda brasileira. Segundo análise de Andrés Cannizzo, especialista em Inteligência de Mercado para Trigo, Milho e Fertilizantes da Safras & Mercado, o mercado argentino começou a dar sinais de recuperação ao longo de julho, impulsionado justamente pela necessidade de abastecimento do Brasil, principal destino do trigo argentino.
Após vários meses de baixa liquidez, a combinação entre maior volatilidade no mercado internacional e o aumento da demanda brasileira elevou os preços internos na Argentina e voltou a tornar os contratos da nova safra mais atrativos para os produtores. Ainda assim, o especialista destaca que a recuperação ocorre em meio a desafios importantes para o setor exportador.
Entre eles estão a necessidade de obter preços FOB mais elevados para manter a competitividade internacional, além dos problemas de qualidade registrados em parte da safra disponível, fator que reduziu o ritmo das exportações nos últimos meses e levou alguns compradores a diversificarem suas origens de fornecimento.
Os embarques argentinos, que em junho ficaram cerca de 30% abaixo do registrado no mesmo período da temporada anterior, voltaram a ganhar ritmo no fim de julho. Mesmo assim, o volume exportado ainda é considerado moderado diante da expectativa de uma safra volumosa em 2025/26, indicando que será necessário um fluxo maior de negócios nos próximos meses para absorver toda a oferta prevista.
O Brasil segue sendo o principal sustentáculo desse movimento. De acordo com a análise da Safras & Mercado, quase 70% dos embarques programados para julho tiveram como destino o mercado brasileiro, evidenciando a importância da demanda nacional para o escoamento da safra argentina. A tendência é que esse fluxo continue nas próximas semanas, pelo menos até o avanço da colheita brasileira e a normalização da oferta interna.
Para o mercado brasileiro, esse cenário merece atenção. Com uma produção doméstica novamente projetada abaixo da demanda da indústria moageira, o país continuará dependente das importações, principalmente da Argentina. Nesse contexto, a competitividade do trigo argentino, a qualidade do cereal ofertado e o ritmo das exportações deverão permanecer entre os principais fatores de influência sobre os preços e o abastecimento ao longo dos próximos meses.