Soja de fora da lista de redução das tarifas China-EUA é o que realmente pressiona Chicago nesta 2ª?
Soja de fora da lista de redução das tarifas China-EUA realmente pressiona Chicago?
O mercado de commodities agrícolas iniciou a semana repercutindo os desdobramentos do encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, o comportamento das cotações na Bolsa de Chicago e as incertezas climáticas para o plantio da safra no Brasil. Em análise detalhada, o analista Eduardo Vanin destacou como a dinâmica entre tarifas, fluxo de demanda e condições meteorológicas dita o ritmo dos negócios no setor.
Reunião EUA-China: manutenção de tarifas e cotas para grãos
O encontro entre os líderes dos Estados Unidos e da China trouxe confirmações importantes para a comercialização de grãos. No caso da soja em grão, a tarifa retaliatória de 10% cobrada pelos chineses sobre o produto norte-americano foi mantida, somando-se à alíquota padrão de 3%, totalizando 13%. Para as demais origens, como o Brasil, a tarifa permanece em 3%.
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Segundo Vanin, a manutenção dessa taxa sobre a soja dos EUA não deve ser interpretada como um sinal baixista, pois reforça a garantia de que as estatais chinesas deverão cumprir o compromisso de compra estipulado em 25 milhões de toneladas. Até o momento, a China comprou cerca de 13,7 milhões de toneladas, restando 11,3 milhões para atingir a meta. As empresas privadas chinesas, por sua vez, continuam voltadas às compras na América do Sul.
Para outros produtos, como o milho, a tarifa foi reduzida para 1%, mas restrita à cota de importação anual chinesa de 7,2 milhões de toneladas. Dessa cota, 60% é destinada a estatais (como a Cofco) e 40% ao setor privado comercial (aproximadamente 3 milhões de toneladas). Vanin pontuou que, sem compromisso formal de compra para o milho e com o produto sul-americano mais competitivo que o do Noroeste do Pacífico (PNW), a competitividade do cereal norte-americano segue limitada, a menos que a estatal chinesa decida atuar pontualmente por razões diplomáticas.
Correção técnica e liquidação no farelo de soja
O farelo de soja registrou fortes quedas na Bolsa de Chicago, recuando mais de 2%. O movimento decorre da realização de lucros por parte de fundos de investimento, que estavam comprados em patamares recordes de cerca de 200 mil contratos. Essa exposição massiva havia sido impulsionada por atrasos na colheita provocados por chuvas no oeste do cinturão produtor dos EUA, o que elevou fortemente os prêmios locais (basis).
Com a previsão de abertura de tempo seco e melhora nas condições de colheita no Meio-Oeste americano a partir dos próximos dias, os fundos iniciaram uma liquidação de posições. O especialista lembrou que o farelo vinha sendo o contrato mais sobrecomprado do complexo de grãos, tornando o recuo um ajuste esperado diante da evolução dos trabalhos de campo e da perspectiva de recomposição da oferta.
Clima e ritmo de plantio da nova safra no Brasil
No cenário produtivo brasileiro, o início dos trabalhos de plantio enfrenta realidades distintas entre as regiões. Enquanto os estados do Sul, como Paraná e partes de Mato Grosso do Sul e São Paulo, apresentam condições adequadas de umidade, áreas do Centro-Oeste e Norte enfrentam desafios.
Em estados como Mato Grosso, Goiás, Tocantins e partes do Matopiba, modelos meteorológicos indicam redução nos volumes previstos de precipitação e temperaturas elevadas, remetendo a padrões irregulares semelhantes aos observados em anos sob efeito do El Niño. De acordo com Vanin, a situação afasta o plantio de um padrão de normalidade no Centro-Norte, tornando o mês de outubro decisivo para a consolidação das lavouras e definição do potencial produtivo inicial.
Panorama dos óleos vegetais e mandatos de biocombustíveis
No setor de óleos, o mercado interno brasileiro observou certo alívio nos estoques de óleo de soja, sustentando os preços por tonelada, enquanto o mercado aguarda definições sobre a mistura obrigatória de biodiesel. Globalmente, as atenções recaem sobre a produção de óleo de palma no Sudeste Asiático, os fluxos de óleo de girassol no Mar Negro e as decisões regulatórias da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) sobre os certificados de combustíveis renováveis (RINs).
O cenário para o complexo de grãos e derivados reflete uma combinação de restrições logísticas, disputas geopolíticas e riscos climáticos. A convergência desses fatores no mês de outubro tende a manter a volatilidade elevada e reforça a necessidade de monitoramento contínuo das margens de comercialização pelo produtor rural.
* Com auxílio de IA