El Niño e excesso de chuvas no Rio Grande do Sul: desafios para o inverno e boas perspectivas para a safra de verão

Publicado em 30/09/2026 11:28
Em entrevista ao Bom Dia Agronegócio, o professor Elmar Floss analisa o impacto das precipitações nas lavouras gaúchas, alerta para os cuidados no plantio da soja e reforça a importância da gestão econômica.
Elmar FLoss
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Rio Grande do Sul nunca perdeu safra de soja em anos e El Niño e produtor tem que estar atento às estratégias


 

Após sucessivos períodos de estiagem que castigaram a agricultura do Rio Grande do Sul nos últimos anos, o retorno do fenômeno El Niño alterou de forma drástica o cenário climático no estado. As fortes e frequentes chuvas têm gerado apreensão entre os produtores locais, exigindo atenção redobrada no encerramento das culturas de inverno e no planejamento das safras de verão. O panorama das lavouras gaúchas foi detalhado pelo diretor do Instituto Incia, professor Elmar Floss, em entrevista à jornalista Carla Mendes no programa Bom Dia Agronegócio.

Impactos do excesso de chuvas nas culturas de inverno

De acordo com o professor Elmar Floss, o excesso de umidade afeta diretamente a reta final das culturas de inverno, especialmente a canola e o trigo. A canola, que registrou uma expansão expressiva de área nesta safra — saltando de cerca de 228 mil hectares no ciclo passado para aproximadamente 400 mil hectares —, já havia sofrido perdas de potencial produtivo causadas por geadas durante o florescimento e agora enfrenta dificuldades adicionais no momento da colheita devido à chuva contínua.

Já o trigo apresenta cenários distintos conforme a região. Nas áreas em que as lavouras se aproximam da fase de colheita, volumes acumulados que ultrapassaram 240 milímetros em poucos dias acendem o sinal de alerta para a qualidade dos grãos. Por outro lado, em regiões mais frias ao norte do estado, como Passo Fundo, Lagoa Vermelha e Vacaria, as plantas ainda se encontram em estágio vegetativo. No caso do arroz irrigado, Floss destacou que a alta nebulosidade e a consequente baixa luminosidade comprometem a fotossíntese, inviabilizando a expectativa de produtividades recordes.

Histórico favorável e expectativas para as safras de verão

Apesar dos entraves imediatos para o plantio e para as lavouras de inverno, o especialista destacou que os anos sob a influência de um El Niño forte historicamente trazem bons resultados para o milho e para a soja no Rio Grande do Sul. Floss lembrou eventos climáticos semelhantes em safras históricas, ressaltando que o estado tradicionalmente obtém boas colheitas de verão nesses períodos.

"O Rio Grande do Sul nunca teve perda de safra no verão em anos de El Niño. Nós temos problemas de dificuldade de implantação da cultura, janelas muito curtas para plantar, mas com chuva nós colhemos bem milho e colhemos bem soja", afirmou Floss, lembrando que mesmo o milho que sofreu com geadas tardias em estágio vegetativo inicial apresenta capacidade de rebrotar.

Recomendações técnicas para a semeadura da soja

Com a antecipação do plantio autorizada pelo Ministério da Agricultura em municípios mais quentes, como São Borja e São Luiz Gonzaga, os trabalhos de campo começaram a ser pontualmente iniciados. Diante do solo encharcado e das janelas de semeadura estreitas, o professor reforçou medidas essenciais para mitigar riscos:

  • Aproveitamento das janelas: operar em regime intensivo quando houver condições ideais de solo para não perder o período adequado de implantação.

  • Profundidade de semeadura: evitar plantar em profundidade excessiva, mantendo a deposição ideal das sementes entre 3 cm e 4 cm.

  • Qualidade e população de plantas: utilizar sementes de alto vigor fisiológico e considerar uma redução populacional, já que em anos chuvosos a soja tende a se desenvolver mais e ramificar com maior intensidade.

  • Inoculação e biológicos: não descuidar da inoculação com Bradyrhizobium (de 3 a 5 doses) e da coinoculação com Azospirillum, além do uso de biológicos como Bacillus, Pseudomonas e Trichoderma, visando garantir um solo biologicamente ativo e sadio com baixo custo de investimento.

Gestão financeira e comercialização estratégica

Floss também chamou a atenção para a realidade financeira do produtor gaúcho, que chega descapitalizado após secas severas em cinco das últimas sete safras. Com insumos e combustíveis em patamares elevados e o acesso limitado a medidas de auxílio governamental, a disciplina de custos tornou-se primordial.

O especialista orientou os agricultores a aproveitarem os momentos de valorização na Bolsa de Chicago e as altas pontuais de preços no mercado futuro para realizar vendas escalonadas, garantindo margens de rentabilidade e cobrindo os custos contratuais da lavoura. "O agricultor sabe quantas sacas de soja ele deve. Então, aproveite quando dá esses picos de subida e faça uma venda futura, garanta pelo menos isso. Temos que aprender também a vender melhor", concluiu.

* Com auxílio de IA

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalista.carlamendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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