Inmet: Chuvas frequentes beneficiam o desenvolvimento da safra de soja 2026 em Roraima
O período de cultivo da soja no estado de Roraima difere significativamente do restante do país, uma vez que coincide com a estação chuvosa regional, caracterizada por precipitações mais regulares. Essa condição favorece maior segurança produtiva e estabilidade no rendimento da cultura. O zoneamento agrícola para o cultivo da soja em Roraima teve início no final de março e se estende até meados de junho, sendo esse intervalo considerado o mais adequado devido às condições climáticas normalmente favoráveis, especialmente em relação à distribuição das chuvas.
No contexto da safra de 2026, o cenário tem se mostrado favorável no estado de Roraima. Desde o início do período recomendado para a semeadura a região vem registrando eventos frequentes de chuva e, em alguns momentos, acumulados expressivos, contribuindo para uma boa emergência das plantas e a formação adequada do estande. Esse cenário é corroborado pelas reduzidas perdas observadas até o momento, associadas à regularidade das chuvas, ausência de deficiência hídrica, bem como ocorrência de temperaturas favoráveis ao desenvolvimento da cultura. Essas condições podem ser observadas na Figura 1, referente à localidade de Alto Alegre/RR, com base em dados do Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária (SISDAGRO), que considera indicadores agrometeorológicos, como precipitação, evapotranspiração e balanço hídrico do solo, para a avaliação dos impactos das condições climáticas sobre o desempenho das culturas.
Figura 1: Precipitação (mm), temperatura média (°C) e excedente hídrico (mm) para o período de 25 de março a 31 de maio em Alto Alegre (RR). Fonte: SISDAGRO.
Nas próximas semanas, a cultura da soja no estado avançará para fases de maior exigência hídrica, tornando a manutenção da regularidade das chuvas um fator decisivo para o desempenho produtivo. No estado, a estação chuvosa é modulada principalmente pela Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), cuja posição mais ao sul entre abril e agosto favorece a ocorrência de chuvas intensas e persistentes. Climatologicamente, junho e julho representam o pico da estação chuvosa, com acumulados pluviométricos que frequentemente superam 250 mm, volumes que, quando bem distribuídos ao longo do ciclo, normalmente são suficientes para atender à demanda hídrica da soja. A partir de agosto, o deslocamento sazonal da ZCIT para latitudes mais ao norte reduz progressivamente os volumes de precipitação, ficando abaixo de 200 mm em grande parte das áreas produtoras, aumentando o risco de déficit hídrico para lavouras com plantio mais tardio.
Entretanto, a estabilidade produtiva dessa janela fica comprometida sob a atuação do fenômeno El Niño, que consiste no aquecimento anômalo do Pacífico equatorial, alterando a circulação atmosférica tropical. O principal impacto do fenômeno sobre a porção norte da Amazônia é a redução e irregularidade das chuvas durante a primavera e o verão. Esse padrão tende a antecipar o término da estação chuvosa, aumentando a probabilidade de secas severas. Esses eventos reduzem o suprimento hídrico disponível para a cultura da soja, afetando diretamente o potencial produtivo e elevando o risco de perdas.
A previsão climática elaborada em cooperação entre INMET, CPTEC/INPE e FUNCENE, indica para o período de junho a agosto, volumes de chuva de até 50 mm abaixo da climatologia para o estado de Roraima (tons em amarelo na Figura 2), cenário que reforça o risco climático para a soja, especialmente nas fases de maior exigência hídrica da cultura.
Esse quadro reforça a necessidade de atenção no planejamento das atividades agrícolas na região, recomendando-se o acompanhamento contínuo das atualizações meteorológicas a fim de subsidiar a tomada de decisão no manejo das lavouras, reduzir riscos operacionais e otimizar o planejamento das operações de campo.
Figura 2: Previsão de anomalia de precipitação (mm) do multimodelo INMET+CPTEC+FUNCEME para o trimestre de junho, julho e agosto (JJA) de 2026.
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