Bom dia Agro - Acordo entre EUA e China deixa soja fora de novas reduções tarifárias e pressiona cotações em Chicago

Publicado em 28/09/2026 09:08 e atualizado em 28/09/2026 10:35
Cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping resulta em trégua estendida e corte de tarifas para US$ 60 bilhões em bens, mas ausência de novos compromissos para grãos derruba soja e farelo. Com a participação de Eduardo Vanin,
Eduardo Vanin - Analista de Mercado Agrinvest

A semana nos mercados agrícolas globais iniciou-se sob forte volatilidade após o término da cúpula entre os governos dos Estados Unidos e da China. O encontro entre o presidente norte-americano Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping resultou na prorrogação da trégua comercial por mais 60 dias, estendendo o prazo até o início de janeiro, e em um entendimento mútuo para a redução de tarifas sobre US$ 60 bilhões em mercadorias recíprocas. No entanto, a confirmação de que a soja em grão não foi contemplada na lista de novos cortes tarifários provocou reações imediatas e expressivas perdas nas bolsas internacionais.

Reação imediata nas cotações internacionais

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o início da sessão refletiu a frustração com o desenrolar das negociações. Os contratos futuros da soja recuaram entre 18 e mais de 20 pontos, com o contrato com vencimento mais próximo cotado a US$ 12,98 por bushel, enquanto o contrato maio negociou na faixa de US$ 13,27 por bushel. O farelo de soja figurou entre os derivados mais penalizados, registrando quedas superiores a 2% e sendo negociado a US$ 362,70 por tonelada curta. O milho e o trigo também acompanharam o movimento negativo, recuando cerca de 1%.

Em contrapartida ao recuo dos grãos, as commodities energéticas operaram em forte valorização, com o petróleo WTI e o Brent avançando cerca de 4% devido às incertezas geopolíticas no Oriente Médio e ao fechamento estratégico na região do Estreito de Ormuz.

Ausência de novos compromissos de compra

Em análise sobre o cenário, Eduardo Vanin, analista de mercado da AgrInvest/Marex, pontuou que o mercado precificou o excesso de expectativa não concretizado. A lista divulgada pelas autoridades comerciais reduziu tarifas para itens como milho, trigo, sorgo, carnes e lácteos, mas não incluiu compromissos adicionais de volume por parte de Pequim.

"Não há compromisso de compra de milho, nem de sorgo, nem de trigo, nem de coisa nenhuma. O que houve foi redução da tarifa", destacou Vanin. Ele explicou que, no caso do milho norte-americano, a alíquota de 1% aplica-se dentro de cotas já existentes (cerca de 7,2 milhões de toneladas, divididas entre estatais e setor privado), nas quais o produto dos EUA continua enfrentando forte concorrência de preços com a oferta do Brasil e da Argentina.

Quanto à soja, a tarifa retaliatória de 10% mais os 3% convencionais permanece vigente para a oleaginosa norte-americana. Para Vanin, essa manutenção não configura necessariamente um elemento baixista estrutural a longo prazo: "Mantendo a tarifa, é uma garantia de que o saldo vai ser comprado pelas estatais, independente de margem. Isso é altista", afirmou o analista, relembrando que o compromisso de compra de 25 milhões de toneladas por ano até 2028 segue mantido pelo governo chinês.

Condições climáticas no Brasil e nos EUA

Além da geopolítica e das tarifas, o clima permanece no centro das atenções do agronegócio. No Meio-Oeste dos Estados Unidos, chuvas volumosas em regiões produtoras essenciais, como Iowa, vinham desacelerando o ritmo da colheita e gerando prêmios locais atípicos pela entrega imediata do grão.

No Brasil, onde o plantio da safra de verão avança, o quadro climático é marcado por extremos. Alertas meteorológicos apontam tempestades severas, granizo e ventos fortes na Região Sul, em especial no Rio Grande do Sul, com acumulados que elevam o risco de atrasos operacionais no campo e perdas na reta final do trigo. Por outro lado, lavouras no Centro-Oeste e Norte enfrentam temperaturas elevadas e distribuição irregular de chuvas, desafiando a semeadura em estados como Mato Grosso e Goiás sob influência de padrões climáticos adversos.

Implicações para o produtor rural

O cenário atual reforça a complexidade na tomada de decisão comercial para o produtor brasileiro. A disparidade entre os contratos em Chicago, as oscilações cambiais e o custo de frete exigem cautela redobrada no gerenciamento de margens. A combinação entre oferta global, logística internacional pressionada e incertezas climáticas no plantio da América do Sul ditará o ritmo da comercialização e da formação de preços nas próximas semanas.

* Com auxílio de IA

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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