Após contaminada por gripe aviária, ave pode morrer em menos de 48h, diz especialista

Publicado em 07/12/2022 10:20 e atualizado em 07/12/2022 11:14
Apesar de não haver casos da doença no Brasil, especialista aponta que país não teme strutura para conter um possível surto de maneira eficaz
 Luiz Sesti - Responsável de Serviços Veterinários para América Latina da Ceva

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Após contaminada por gripe aviária, ave pode morrer em menos de 48h, diz especialista

Os casos de influenza aviária se espalham com rapidez pela América Latina; desde o final de outubro já se registram surtos em granjas comerciais ou aves silvestres/migratórias na Colômbia, México, Peru, Equador e Venezuela. De acordo com o responsável pela área de serviços veterinários da Ceva Saúde Animal na América Latina, Luiz Sesti, não é normal a rapidez com que o vírus de cepa altamente patogênica vem de disseminando. Ele explica que ainda não há uma justificativa comprovada, mas possivelmente as aves migratórias estão mais contaminadas ou mais espécies destes animais estão atuando como vetores da doença. 

Sesti detalha que a principal fonte de contaminação da doença nas aves são por meio de excrementos de outras aves contaminadas, ou até mesmo de epssoas que tenham tido contato com animais do tipo que estivessem enfermos. Ele dá como exemplo o Peru, país em que vários pelicanos morreram na região costeira, e que pessoas que estavam nestas áreas e que tiveram contato com as aves acabaram "transportando o vírus". Inclusive, o governo peruano estuda interditar temporariamente as praias para visitantes por esta razão. 

O especialista afirma que há as cepas da influenza aviária de baixa patogenicidade e de alta patogenicidade, as de hemaglutinina 5 ou 7, como, por exemplo, a H5N1, que vem sendo mais prevalente tanto nos Estados Unidos quanto nos casos em países da América Latina. Sento altamente patogênica, a doença estando no organismo do animal provoca uma resposta inflamatória em qualquer que seja o tecido ou sistema do corpo, seja respiratório, intestinal... "As aves morrem de infecção generalizada, às vezes em menos de 48 horas", disse,

Além das medidas de biosseguridade, como instalaçãod e granjas comerciais longe de rotas migratórias ou área de pousio de aves silvestres, telas nas granjas, ações de higiene por parte do quadro funcional das granjas, Sesti explica que existem, sim, vacinas que previnem alguns tipos do vírus de acometerem as aves. República Dominicana, Guatemala e México, países em que a gripe aviária é endêmica, as vacinas são utilizadas. No Brasil, conforme diz Sesti, um país que é um dos líderes na exportação de carne de frango, a utilização de vacinas como forma preventiva pode ser positiva pelo lado de mitigar o aparecimento da doença, mas comercialmente, pode ser prejudicial. Isso porque o mercado externo automaticvamente entende que o país passa a ser considerado conmo tendo a patologia endêmica no território. A alternativa seria, por exemplo, se houver um caso localizado, utilizar a vacina apenas naquela região, sem aplicar como um protocolo nacional. 

O Brasil nunca registrou casos da doença, mas de acordo com o especialista, apesar de haver algumas tecnologias disponíveis em granjas pontuais no país para o abate sanitário de maneira eficaz, humanizada e com menos chance de dispersão da doença, de maneira geral o Brasil não possui estrutura para lisar com um grande surto. "Há o abate com uma espuma que é lançada sobre as aves ainda na granja, e elas ficam sem ar. O ideal é que o descarte delas envolva o menor contingente de epssoas possível e menor logística, para que se evite o trânsito do vírus", explicou.

 

Por: Letícia Guimarães
Fonte: Notícias Agrícolas

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