Ucrânia pode perder até metade do rebanho suíno em 2026 com PSA e crise de preços
A suinocultura da Ucrânia pode enfrentar forte retração em 2026, com risco de perda de até metade do rebanho nacional. O alerta vem de representantes da indústria, que apontam a combinação entre novos surtos de Peste Suína Africana (PSA), baixos preços pagos aos produtores e dificuldades operacionais como fatores críticos para o setor.
Segundo Nikolay Babenko, diretor executivo da Associação Ucraniana da Indústria de Carnes, o país já perdeu quase 2 milhões de suínos em 2024, equivalente a cerca de um terço da população total, após uma sequência de focos da doença. Em 2025, houve recuperação parcial, com o plantel passando de 4 milhões para 5 milhões de cabeças.
Apesar do avanço no último ano, registros recentes de PSA em diversas regiões reacenderam a preocupação do setor. O cenário sanitário adverso volta a pressionar produtores e amplia o risco de novas perdas ao longo de 2026.
A situação é agravada pela queda nos preços pagos aos criadores. O valor médio da carne suína ao produtor recuou para cerca de 60 hryvnias por quilo, equivalente a aproximadamente US$ 1,40, reduzindo a margem de sustentabilidade econômica das granjas.
Além das questões sanitárias e de mercado, problemas estruturais também pesam sobre a atividade. Apagões frequentes têm levado produtores a antecipar o abate de animais, ampliando a oferta e pressionando ainda mais as cotações no mercado interno.
De acordo com Babenko, a continuidade dos surtos e a manutenção de preços baixos podem levar empresas a acumularem prejuízos e reduzir drasticamente a atividade. Nesse cenário, parte significativa dos produtores poderia deixar o setor, contribuindo para a retração do rebanho nacional.
Outro fator de preocupação é o custo para reconstrução da capacidade produtiva. A reativação de granjas exige investimentos entre 50 mil e 60 mil hryvnias por matriz, o que representa bilhões em escala nacional. Em meio ao contexto econômico e ao conflito em curso no país, o setor avalia que os recursos podem ser direcionados a prioridades consideradas mais urgentes.
O ambiente combina desafios sanitários, econômicos e estruturais, colocando a suinocultura ucraniana diante de um período de incertezas e reforçando a importância de políticas de apoio, estabilidade produtiva e gestão de riscos para a continuidade da atividade.
Fonte: Associação Ucraniana da Indústria de Carnes, adaptado pela equipe Feed&Food
0 comentário
Reino Unido retira produtos suínos após escândalo sanitário envolvendo peste suína africana no Vietnã
Serviço Veterinário Oficial finaliza visitas nas propriedades da região do foco de gripe aviária em aves silvestres
Tensão no Oriente Médio: demanda consistente e atrasos nos embarques preocupam a cadeia de aves
Embarques de carne suína crescem em fevereiro e Filipinas ampliam liderança entre destinos
Embarques de carne de frango crescem 5,3% em fevereiro
Ovos/Cepea: Cotações seguem firmes com demanda aquecida e oferta limitada