DO GRÃO A BARRA - Primeira fábrica bean to bar do Circuito das Águas Paulista, Ocan ganha projeção nacional
DO GRÃO A BARRA - Primeira fábrica bean to bar do Circuito das Águas Paulista, Ocan ganha projeção nacional
Pioneirismo e integração com a rota turística
Iniciada em 2021 e com produção comercial efetiva a partir de 2022, a fábrica surgiu para preencher um espaço ainda inexplorado na região das Águas Paulistas, composta por nove cidades conhecidas pelo turismo de descanso e pela rota gastronômica de cafés especiais, queijos artesanais e vinhos.
Segundo a fundadora da marca, Viviane Leal, a recepção local e de turistas foi imediata ao integrar o chocolate à rota gastronômica existente. "Essa região do Circuito das Águas abrange nove cidades no total, e Amparo é considerada a porta de entrada. O turista vem buscando essa experiência gastronômica e de degustação. O chocolate entrou para agregar mais valor a tudo isso, compondo harmonizações com os cafés especiais, vinhos e queijos premiados da região", destacou em entrevista ao podcast Do Grão à Barra.
Superação de desafios e riqueza de terroirs
Inicialmente focada apenas no cacau baiano, a empresa precisou recalcular a rota diante dos desafios climáticos e de oferta enfrentados pelo setor cacaueiro em 2024. A busca por novos fornecedores de cacau fino acabou se transformando no principal diferencial da marca: a exploração da diversidade de terroirs nacionais.
"Com a crise em 2024, tive que buscar outros produtores de cacau fino. Encontrei parceiros no Pará, Amazonas, Espírito Santo e também em São Paulo. Foi muito especial perceber as diferenças na prática", explicou Viviane. O resultado dessa expansão é uma linha diversificada de chocolates 70% cacau que traduz as particularidades geográficas de cada localidade:
- Bahia: Marcado por acidez agradável, com notas cítricas e de frutas amarelas.
- Pará: Perfil amanteigado, amendoado, com baixa acidez e notas que remetem a brownie.
- Amazonas: Cacau nativo e agroextrativista colhido por comunidades ribeirinhas, caracterizado por notas florais e um marcante sabor de mel. "Muitas pessoas perguntam se colocamos mel na receita, porque a impressão sensorial é idêntica à de morder um favo", relatou a chocolateira.
- São Paulo: Cultivado no litoral sul em consórcio com banana, o fruto desenvolve notas sensoriais evidentes de banana-passa.
Portfólio premiado e aposta no cultivo próprio
Hoje, o portfólio da marca conta com 12 rótulos, incluindo opções sem açúcar adoçadas com tâmaras, chocolates ao leite de coco, versões brancas com especiarias e formulações funcionais. Um dos destaques da produção é o chocolate 52% cacau ao leite, produzido com amêndoas do Espírito Santo, que foi condecorado com a medalha de bronze no Prêmio Bean to Bar Brasil.
Diante da resposta positiva dos consumidores, os planos para o futuro incluem a verticalização e a introdução da lavoura cacaueira no próprio município de Amparo. Produtores rurais locais e a própria fábrica deram início ao plantio de mudas na região. O objetivo principal é enriquecer o turismo de experiência, permitindo que visitantes conheçam a árvore, provem o fruto in natura e acompanhem de perto todas as etapas de transformação da amêndoa em barra.
Impacto no mercado e conexão com o consumidor
A consolidação de iniciativas como a da Ocan reflete a maturação do mercado brasileiro de chocolates especiais. Ao conectar o trabalho de ribeirinhos da Amazônia e produtores tradicionais da Bahia a polos turísticos e gastronômicos do Sudeste, o modelo bean to bar educa o paladar do consumidor, que passa a valorizar a pureza do ingrediente e a complexidade sensorial do cacau nacional em detrimento dos ultraprocessados.
* Com auxílio de IA