Ganho econômico com a armazenagem da soja deve ser bom, mas distante do recorde de 2020

Publicado em 19/03/2021 09:16 e atualizado em 19/03/2021 12:05
Atuais patamares de preços já estão muito elevados durante o processo da colheita, diferente do que aconteceu no ano passado. Despesas com a prática também devem ser maiores e pressão mais severa para receita do produtor deve vir do frete.
Fernando Rocha - Pesquisador do ESALQ-LOG

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Entrevista com Fernando Rocha - Pesquisador do ESALQ-LOG sobre armazenagem de soja

 

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A armazenagem da soja garantiu um ganho adicional ao produtor brasileiro na última temporada de mais de R$ 70,00 por saca, como mostra um estudo feito pela Esalq-LOG. Os ganhos vieram já descontando as despesas com a prática. Para 2021, porém, a situação esperada é diferente. Apesar do ganho ainda ser esperado, deve ficar distante do recorde de 2020. 

"Para 2021, entramos com os preços reais muito elevados, então já esperamos uma redução no câmbio e não esperamos para os períodos futuros um reajuste de preço tão significativo que dê um ganho econômico da magnitude de 2020", explica o pesquisar da Esalq-LOG, Fernando Rocha, em entrevista ao Notícias Agrícolas. 

Os estudos da ESAlQ-Log mostram que anos bons em que esse ganho econômico foi garantido são aqueles em que os produtores ganhavam de R$ 10,00 a R$ 15,00 a mais por saca, de acordo com o histórico, o que acontece de dois a três meses durante o ano. Para este ano, os ganhos esperados são de R$ 8,00 a R$ 10,00/saca. 

Mais do que isso, Rocha destaca os impactos, não só do dólar para a receita do sojicultor, mas também a pressão que os gastos com fretes mais elevados podem exercer, além da armazenagem estar custando mais caro nesta temporada, diante de uma demanda maior depois de uma safra recorde no país. 

"A gente observa uma tendência de aumento nos preços de armazenagem, mas não muito se comparados à dinâmica dos reajustes em relação aos preços de transporte de cargas agrícolas", diz o pesquisador. 

De 2000 a 2020, o Brasil teve um aumento, como explica Rocha, de 100% na capacidade estática do Brasil para armazenar grãos. Todavia, a estrutura ainda está abaixo do ideal, e precisa ser revisto de forma a garantir a competitividade do Brasil diante do crescimento e do potencial de novos incrementos da safra brasileira de grãos.  

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas

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