Soja fecha em baixa em Chicago pressionada por farelo, mas clima no Brasil e exportações dos EUA mantêm mercado em alerta

Publicado em 13/10/2026 16:58
Entre volatilidade em Chicago e plantio avançando no Brasil, analista da Safras & Mercado aponta que mapas climáticos de novembro e demanda externa podem abrir novas oportunidades.
Rafael Silveira - Analista de Soja na Safras & Mercado
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Negócios com a soja perdem força no mercado brasileiro e produtor foca no plantio

 

O mercado da soja encerrou a sessão na Bolsa de Chicago (CBOT) com variações negativas entre 4 e 6 pontos nos principais contratos. O movimento foi marcado pela volatilidade ao longo do pregão, influenciado diretamente pela forte perda de força do farelo de soja e pelos reflexos do último relatório de oferta e demanda divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

O analista de mercado da Safras & Mercado, Rafael Silveira, explicou que o fechamento negativo ainda carrega reflexos do relatório do USDA, que apontou uma produtividade recorde para a safra norte-americana, projetada em 53,1 bushels por acre. No entanto, Silveira destacou que esses números ainda dependem de confirmação prática no campo, considerando o atraso nos trabalhos de colheita nos Estados Unidos.

"Claro que ainda tem que confirmar todos esses dados. Nós ainda estamos, devido até ao atraso da colheita nos Estados Unidos, numa fase um tanto inicial. Daqui para frente vai evoluir mais e a gente vai começar a ter amostragens melhores", ponderou o analista.

Além da produtividade, o quadro de exportações norte-americanas chamou atenção. Embora o USDA tenha ajustado ligeiramente para cima os números de exportação, Silveira avalia que a projeção oficial ainda está aquém do potencial real, visto que os compromissos de vendas acumulados estão quase no dobro do registrado no mesmo período do ano passado.

No cenário nacional, o foco dos produtores está quase totalmente concentrado nas operações de plantio da safra nova. As condições climáticas de outubro permitiram avanço rápido das plantadeiras em estados como Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. Em contrapartida, o excesso de chuvas no Sul, especialmente no Paraná e Rio Grande do Sul, tem causado atrasos significativos e falta de luminosidade para o desenvolvimento inicial das lavouras.

Apesar da regularidade atual na faixa central do país, os modelos climáticos para os meses seguintes acendem um sinal de alerta. "O que me traz alguns alertas são realmente as projeções a partir de novembro em diante. Há sim alguns mapas que mostram uma condição de chuvas abaixo da média para novembro, dezembro, janeiro e fevereiro", destacou Silveira, ressaltando a influência do fenômeno El Niño.

Com relação à comercialização, o ritmo das negociações segue lento. Os produtores brasileiros já comprometeram entre 33% e 34% da safra nova de forma antecipada, aproveitando momentos de preços e câmbio mais favoráveis nas semanas anteriores. Diante das incertezas climáticas e das recentes quedas de preço, a postura atual do produtor é de cautela.

Quanto à safra velha (2022/23), a liquidez é bastante restrita, com mais de 93% do volume total já negociado. A concentração remanescente encontra-se principalmente nos estados do Sul, com escassez no Centro-Oeste e Norte do país. Essa limitação de oferta, somada aos lineups portuários elevados (já apontando para 108 a 109 milhões de toneladas exportadas no acumulado do ano), pode gerar disputas pontuais nos portos.

"Inclusive não vai me surpreender se nós tivermos aí alguma corrida no porto até o final do ano via prêmios", afirmou o analista, relacionando a possibilidade a eventuais dificuldades logísticas ou de ritmo de embarque nos Estados Unidos.

O milho em Chicago fechou com leves perdas, com o contrato de dezembro cotado a US$ 4,82 e março a US$ 4,96 por bushel. O trigo também recuou, encerrando dezembro a US$ 6,69 por bushel. Na B3, o milho operou em leve alta, sustentado pela valorização do dólar frente ao real.

Implicações para o setor produtivo

O cenário atual reforça a recomendação para que o produtor rural mantenha o foco no manejo e implantação da safra, evitando pressa na comercialização enquanto os preços se mantêm pressionados. Caso os mapas climáticos de novembro confirmem períodos de estiagem no Brasil e o apetite comprador internacional continue concentrado na América do Norte, Chicago poderá buscar patamares mais elevados, criando novas janelas para travas de preços e gestão de risco.

* Com auxílio de IA

Fonte: Notícias Agrícolas

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