Soja: Brasil vende 4 milhões de t na semana com preços perto dos melhores momentos do ano
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O mercado da soja perdeu força, passou a caminhar de lado na Bolsa de Chicago nesta tarde de quarta-feira (8) e fechou o pregão em campo negativo, com as cotações testando apenas ligeiras baixas. Embora o clima no Corn Belt e a demanda da China mais presente nos EUA sejam ainda pontos importantes de sustentação para os preços - que chegaram a trabalhar no patamar dos US$ 12,00 por bushel durante o dia - a realização de lucros chegou depois de ganhos bastante expressivos.
Somente nesta semana - e apesar das leves perdas de hoje - os futuros da soja registram expressivo avanço, em especial no contrato julho, que subiu 5,75% da última quinta-feira (2) até hoje, chegando aos US$ 11,96. No agosto, o ganho foi de 4,93% para US$ 11,92 e no novembro, de 3,84% para chegar aos US$ 11,91 por bushel.
O movimento deu espaço para que os preços da soja encontrassem espaço para uma uma recuperação também no mercado nacional. Nos portos, as referências estiveram maiores em relação à semana anterior, porém, o avanço acabou limitado pelo dólar - que testou patamares mais tímidos - e pelo recuo dos prêmios, natural diante das altas em Chicago.
No porto de Paranaguá, os indicativos chegaram a variar entre R$ 143,00 - no agosto, com pagamento em 31 de agosto - a R$ 149,00 no novembro para soja disponível. Já para 2027, preçoes de R$ 138,00 a R$ 139,00 por saca.
Segundo explicou o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, é possível dizer que nesta semana, somente até esta quarta-feira, o Brasil comercializou cerca de quartro milhões de toneladas de soja.
O levantamento da Brandalizze Consulting mostra que o país já comercializou cerca de 71% da safra 2025/26 de soja, contra 71,5% do mesmo período do ano passado e 72% da média. "Há, mais ou menos, 52 milhões de toneladas de soja ainda na mão do produtor, contra pouco mais de 48 milhões do mesmo período do ano passado", explica o consultor. Já para a safa nova há um atraso com apenas 23% de comercialização realizada. Neste mesmo período do ano anterior, o Brasil já havia negociado 26,5% e a diante da média de 27%", afirma o consultor.
No entanto, Brandalizze explica que nesta semanana tem sido registrada também uma corrida um pouco mais intensa de novos negócios, com foco nas estratégias de barter para a aquisição de insumos para a próxima safra. "Esse novo pico de petróleo está fazendo o pessoal correr atrás, porque estão temendo que possa puxar os preços dos defensivos e fertilizantes de novo. Então, devemos ter mais negócios nos próximos dias de novo", relata.
A tendência é, segundo afirma o especialista, de que este ritmo continue frente aos ganhos de Chicago, com o produtor mais "realista" em relação aos preços diante do que se observava nos meses passados, inclusive para as posições do ano que vem, tanto para safra atual, quanto para safra nova. "O pessoal está fazendo negócios com o presente, futuro, e os preços estão perto dos melhores momentos do ano, tanto portos, quanto nos balcões".
BOLSA DE CHICAGO
Na Bolsa de Chicago, o mercado registra estas altas acumuladas na semana refletindo a combinação de clima preocupante para o Corn Belt na segunda quinzena de julho, com as compras feitas pela China nos EUA e, desde esta quarta, um novo momento de escalada de tensões entre Irã e Estados Unidos.
No caso deste último fator, as notícias de que ambas as nações já não consideram mais um acordo ou um cessar-fogo provocaram novas altas do petróleo - de mais de 5% no brent negociado na Bolsa de Londres - levaram a novas e fortes altas do óleo de soja, que terminou o dia com ganhos superiores a 3% em Chicago.
O dia, porém, foi de realização de lucros para os grãos depois das últimas altas, acompanhando baixas significativas que testaram também os preços do milho e do trigo na CBOT.
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Além disso, o farelo de soja também cedeu, contribuindo para o recuo da oleaginosa. As perdas do derivado passaram de 1%.
"O mercado comprou no boato e vendeu no fato", explicou o analista de soja e gestor de risco da Amius, Victor Martins, em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta quarta-feira.
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