Café fecha em alta com fretes mais caros e tensão no Oriente Médio no radar

Publicado em 02/03/2026 16:59 e atualizado em 02/03/2026 17:32
Arábica e robusta avançam nas bolsas internacionais nesta segunda-feira (2), sustentados por preocupações logísticas, enquanto projeções de safra recorde no Brasil limitam ganhos mais amplos


O mercado internacional de café encerrou esta segunda-feira (2), com forte valorização nas bolsas de Nova York e Londres, impulsionado pelo aumento dos custos globais de frete após a escalada do conflito envolvendo o Irã e seus reflexos sobre o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.

O Café Arábica em maio fechou com alta de 3,85 pontos, avanço de 1,37%. Entre os principais vencimentos, o março/26 encerrou cotado a 288,35 cents por libra-peso. Maio/26 fechou a 284,60 cents por libra-peso, enquanto julho/26 terminou o dia a 279,70 cents por libra-peso, com valorização de 3,80 pontos.

Já o Café Robusta, os contratos também avançaram de forma expressiva.  Março/26 fechou a US$ 3.842 por tonelada. Maio/26 encerrou cotado a US$ 3.772 por tonelada, com ganho de US$ 148 por tonelada no dia, enquanto julho/26 fechou a US$ 3.676 por tonelada. O robusta atingiu o maior nível em duas semanas.

O principal fator de sustentação dos preços foi a preocupação com a oferta diante da paralisação de grande parte do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global. A elevação das taxas de frete, dos custos de seguro e do combustível aumenta o custo final para importadores e torrefadores, cenário que tende a sustentar as cotações no curto prazo.

Apesar do avanço, os ganhos do arábica foram parcialmente limitados por notícias favoráveis no campo. A Somar Meteorologia informou que Minas Gerais, maior região produtora da variedade no Brasil, recebeu 78 milímetros de chuva na semana encerrada em 20 de fevereiro, volume equivalente a 131% da média histórica. As precipitações melhoram as condições das lavouras e reforçam as expectativas de recuperação produtiva.

O mercado também segue atento às projeções da Companhia Nacional de Abastecimento, que estima que a safra brasileira de 2026 poderá atingir 66,2 milhões de sacas, alta de 17,2% frente ao ano anterior. A produção de arábica deve alcançar 44,1 milhões de sacas, avanço de 23,2%, enquanto o robusta pode somar 22,1 milhões de sacas, crescimento de 6,3%.

No cenário internacional, o Rabobank projeta produção global recorde de 180 milhões de sacas na safra 2026/27, cerca de 8 milhões acima do ciclo anterior. Além disso, o Vietnã registrou aumento expressivo nas exportações em janeiro, com alta de 38,3% na comparação anual, reforçando a perspectiva de oferta mais confortável no médio prazo.

Após cinco semanas consecutivas de queda, período em que o arábica atingiu a mínima em 15 meses e o robusta recuou ao menor patamar em quase sete meses, o mercado encontra suporte pontual nas tensões geopolíticas e nos custos logísticos elevados. Ainda assim, as estimativas de safra robusta no Brasil e no cenário global seguem como fator de equilíbrio para as cotações nos próximos meses.
 

Por: Priscila Alves
Fonte: Notícias Agrícolas

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