Café fecha em alta nas bolsas, mas expectativa de safra recorde no Brasil limita reação do mercado

Publicado em 04/03/2026 17:13
Arábica sobe mais de 400 pontos em Nova York e robusta avança em Londres, enquanto projeções de produção elevada para 2026/27 e 2027/28 mantêm pressão estrutural sobre os preços

O mercado futuro do café encerrou a sessão desta quarta-feira(4) com valorização nas bolsas internacionais, em um movimento de ajuste técnico após as recentes quedas e diante de um cenário ainda marcado por expectativas elevadas para a produção brasileira.

Na Bolsa de Nova York, os contratos do Café Arábica fecharam com alta entre os principais vencimentos. Março/26 encerrou cotado a 290,70 cents por libra-peso, com avanço de 438 pontos. Maio/26 fechou a 286,35 cents por libra-peso, registrando ganho de 375 pontos, enquanto julho/26 terminou o dia a 281,35 cents por libra-peso, com alta de 270 pontos.

Em Londres, o Café Robusta também registrou valorização. Março/26 fechou a US$ 3.789 por tonelada, com avanço de 29 pontos. Já maio/26 encerrou cotado a US$ 3.734 por tonelada, com ganho de 29 pontos, e  julho/26 finalizou a US$ 3.652 por tonelada, alta de 28 pontos.
Apesar da reação técnica nas bolsas, o cenário estrutural segue pressionado pelas projeções de oferta elevada. Segundo pesquisadores do Cepea, o preço médio do café arábica fechou fevereiro no menor patamar desde julho de 2025. A pressão veio principalmente de projeções indicando possibilidade de colheita recorde no Brasil na safra 2026/27, algo que não ocorre desde 2021.

Em fevereiro, o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, teve média de R$ 1.864,51 por saca de 60 kg, com queda de R$ 311,31 por saca, ou 14,3 por cento, em relação a janeiro. Mesmo com a desvalorização recente, o patamar ainda é considerado relativamente elevado. A média de fevereiro é a terceira maior para o mês em termos reais, considerando a série histórica iniciada em setembro de 1996, ficando atrás apenas do registrado há um ano e em fevereiro de 1997.

Para o analista de mercado Marcelo Moreira, o foco do mercado já começa a se deslocar para ciclos mais adiante. Segundo ele, a preocupação maior está na safra 2027/28. O mercado vem antecipando a possibilidade de uma produção recorde no Brasil, que poderia ultrapassar 80 milhões de sacas, caso não ocorram eventos climáticos adversos como geadas no próximo inverno ou novos períodos de seca entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027.

Dessa forma, mesmo com a alta registrada nesta sessão, o mercado segue calibrando preços diante de uma perspectiva de oferta robusta nos próximos ciclos, mantendo a volatilidade elevada e o produtor atento aos movimentos das bolsas e às projeções para as próximas safras.

 

 

Por: Priscila Alves
Fonte: Notícias Agrícolas

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