Café perde força no fim do pregão, mas clima no Brasil segue sustentando mercado
O mercado do café encerrou os negócios desta quinta-feira (18) com desempenho misto nas bolsas internacionais. Após atingir os maiores níveis em aproximadamente um mês durante a sessão, o arábica perdeu força e fechou em baixa em Nova York, pressionado por movimentos de realização de lucros e pelo avanço do dólar. Já o robusta manteve ganhos moderados em Londres.
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato julho/26 do café arábica fechou cotado a 275,10 cents de dólar por libra-peso, com queda de 275 pontos. O setembro/26 recuou 410 pontos, encerrando a 267,80 cents/lbp, enquanto o dezembro/26 perdeu 525 pontos, terminando o pregão a 257,90 cents/lbp.
No mercado de robusta, na Bolsa de Londres (ICE Europe), o contrato julho/26 avançou 5 pontos, fechando em US$ 3.685 por tonelada. O setembro/26 subiu 7 pontos, para US$ 3.629 por tonelada, enquanto o novembro/26 registrou ganho de 13 pontos, encerrando a US$ 3.587 por tonelada.
Segundo análise de Gil Barabach, analista da Safras & Mercado, o mercado continuou encontrando suporte nas preocupações com o clima no Brasil. As chuvas persistentes em pleno período de colheita seguem dificultando os trabalhos de campo, além das etapas de secagem e beneficiamento dos grãos. As previsões meteorológicas indicam a continuidade das precipitações em áreas do cinturão cafeeiro até o fim de junho.
Barabach destaca ainda que o excesso de umidade tem aumentado as preocupações com possíveis perdas de qualidade dos grãos, situação considerada incomum para esta época do ano. O analista observa que o fenômeno El Niño continua sendo um dos principais fatores monitorados pelo mercado.
Outro ponto acompanhado pelos operadores é a previsão de queda das temperaturas na próxima semana. Apesar disso, não há, até o momento, indicativos de frio extremo ou risco significativo de geadas nas principais regiões produtoras de café do Brasil.
Mesmo com esses fatores de sustentação, o mercado realizou parte dos ganhos acumulados nos últimos dias. De acordo com a Safras & Mercado, o arábica alcançou durante o pregão os níveis mais elevados em cerca de um mês, favorecendo movimentos técnicos de venda e realização de lucros. Além disso, segue pesando sobre as cotações a expectativa de uma safra brasileira volumosa em 2026, cuja oferta deve chegar gradualmente ao mercado conforme a colheita avançar.
A valorização do dólar frente ao real também contribuiu para a reversão das altas observadas no início da sessão. O fortalecimento da moeda norte-americana costuma estimular as exportações brasileiras e pressionar as cotações das commodities negociadas em dólar.
Por outro lado, a contínua redução dos estoques certificados de café arábica da ICE segue oferecendo suporte aos preços. O cenário reforça a percepção de oferta apertada no curto prazo, limitando movimentos mais intensos de queda.
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