Solo forte, café valorizado: Produtividade, qualidade e resiliência dos cafezais

Publicado em 18/06/2026 15:19
Projeto mostra que práticas regenerativas elevam produtividade, melhoram a qualidade da bebida e fortalecem a resiliência das lavouras

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A busca por produtividade, qualidade e resistência às mudanças climáticas tem colocado os cafeicultores diante de um desafio cada vez maior: produzir mais sem comprometer os recursos naturais que sustentam a atividade. Em um cenário marcado pela necessidade de preservar a saúde do solo e reduzir os impactos ambientais, a agricultura regenerativa vem ganhando espaço como alternativa para garantir a sustentabilidade da cafeicultura brasileira.

Foi a partir dessa realidade que nasceu o Projeto Café Sustentável, iniciativa desenvolvida pela Syngenta em parceria com a JDE Peet’s, maior empresa de café do mundo e proprietária de marcas como Pilão e L’OR. Iniciado em julho de 2024, o programa reúne 30 propriedades cafeeiras e 90 hectares manejados sob práticas regenerativas em importantes regiões produtoras do país, como Cerrado Mineiro, Sul de Minas e Mogiana.

A proposta combina tecnologias de proteção de cultivos, soluções biológicas, análises laboratoriais avançadas, polinização assistida e uso de plantas de cobertura, buscando demonstrar que é possível aumentar a eficiência produtiva com menor impacto ambiental.

Os resultados do segundo ano de acompanhamento já começam a mostrar os efeitos dessa estratégia no campo.

No Sul de Minas, as áreas conduzidas sob manejo regenerativo passaram de 26,1 para 40,6 sacas por hectare, representando um ganho de 55% em comparação ao sistema convencional. Na Mogiana, o aumento foi de 25%, enquanto no Cerrado Mineiro o crescimento alcançou 7%.

Além da produtividade, a iniciativa também trouxe avanços importantes na qualidade do café. Nas propriedades participantes, a pontuação da bebida na escala da Specialty Coffee Association (SCA) registrou evolução de até 1,97%, ampliando as oportunidades de acesso a mercados premium e agregando valor à produção.

Outro indicador relevante foi a redução de até 71% na presença de nematoides nas lavouras, resultado associado à melhoria das condições do solo e ao fortalecimento do sistema produtivo.

Para Natália Vasconcelos, gerente de Sustentabilidade da Syngenta, os resultados reforçam a importância de investir na saúde do solo como base para a sustentabilidade da agricultura.

“Acreditamos que o solo saudável é o pilar fundamental da agricultura. Com o Café Sustentável, mostramos que a adoção de práticas regenerativas protege os recursos naturais, garante a rentabilidade do produtor e a perenidade da cultura frente às mudanças climáticas”, afirma.

Segundo Bruno Ribeiro, gerente de Fornecimento Responsável da JDE Peet’s, a construção de uma cafeicultura mais resiliente depende da colaboração entre os diferentes elos da cadeia.

“Nenhuma empresa consegue enfrentar os desafios do café sozinha, e esse projeto com a Syngenta permite combinarmos nossas expertises, conhecimento agronômico, engajamento com produtores e acesso a mercado, buscando objetivos comuns: fortalecer a resiliência dos cafeicultores e melhorar as práticas agrícolas ao longo do tempo”, destaca.

O exemplo da Fazenda Nonno Marchi

Entre as propriedades participantes, a Fazenda Nonno Marchi, localizada em Serra Negra (SP), tornou-se um dos principais exemplos dos resultados alcançados pelo programa.

Reconhecida pela produção de cafés especiais 100% arábica a 1.150 metros de altitude, a fazenda já possuía histórico de adoção de práticas sustentáveis antes mesmo da entrada no projeto. Ainda assim, os resultados obtidos nas áreas conduzidas sob manejo regenerativo mostraram avanços expressivos.

Nos últimos dois anos, a produtividade média da área convencional foi de 40 sacas por hectare. Já na área regenerativa, a média alcançou 58,5 sacas por hectare.

Os ganhos também apareceram na qualidade da bebida. Enquanto a área padrão registrou média de 83,84 pontos na escala SCA, a área conduzida dentro do projeto atingiu 89,19 pontos, superando a marca dos 89 pontos e consolidando a propriedade como referência em inovação e manejo sustentável.

Em 2025, a Fazenda Nonno Marchi conquistou ainda o título de terceiro melhor café do Brasil no concurso Florada Premiada.

“Por conta dessa trajetória pioneira no café, fizemos questão de inseri-los já na fase inicial do projeto. Conseguimos ver que, mesmo em uma fazenda que já possui práticas de manejo mais sustentáveis, a adesão ao nosso projeto colaborou ainda mais para melhorar a qualidade do solo, aumentar a produtividade e a qualidade do grão”, ressalta Natália Vasconcelos.

Os resultados reforçam a proposta central do Projeto Café Sustentável: mostrar que a combinação entre tecnologia, manejo regenerativo e parceria entre os diferentes elos da cadeia pode transformar a produção de café, tornando as propriedades mais produtivas, resilientes e preparadas para os desafios do futuro.

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Por:
Priscila Alves I instagram: @priscilaalvestv
Fonte:
Notícias Agrícolas

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