Café fecha em queda com pressão de safra brasileira e aumento da oferta global

Publicado em 23/03/2026 17:20 e atualizado em 23/03/2026 17:58
Contratos de arábica e robusta recuam em Nova York e Londres diante de expectativas de produção recorde no Brasil

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O mercado futuro do café encerrou a sessão desta segunda-feira (23), em queda nas bolsas internacionais, pressionado por fundamentos baixistas ligados ao aumento da oferta global e à melhora das condições climáticas no Brasil.

Na bolsa de Nova York, o café arábica registrou desvalorização nos principais vencimentos. O contrato maio/26 fechou a 306,50 cents de dólar por libra-peso, com baixa de 2,75 pontos. O vencimento julho/26 encerrou a 299,50 cents, recuando 2,50 pontos, enquanto setembro/26 fechou a 286,70 cents, com perda de 3,25 pontos.

Em Londres, o robusta acompanhou o movimento negativo. O contrato maio de 2026 fechou a 3.637 dólares por tonelada, com queda de 27 dólares. O vencimento julho de 2026 encerrou a 3.558 dólares, com recuo de 10 dólares, e setembro de 2026 fechou a 3.486 dólares por tonelada, com baixa de 14 dólares.

O movimento de queda reflete principalmente a pressão exercida pela perspectiva de aumento da produção brasileira. Segundo análise do analista Rich Asplund, o mercado tem reagido ao cenário de safra robusta no Brasil, com projeções elevadas para o ciclo 2026/27. A consultoria StoneX elevou sua estimativa de produção para um recorde de 75,3 milhões de sacas, reforçando o viés baixista para os preços .

Além disso, as condições climáticas mais favoráveis vêm reduzindo preocupações com a oferta. Chuvas recentes em Minas Gerais, principal região produtora de arábica, contribuíram para melhorar o desenvolvimento das lavouras, o que também pesa sobre as cotações .

Outro fator de pressão é o aumento dos estoques monitorados pela ICE, que atingiram níveis mais elevados nos últimos meses, ampliando a percepção de disponibilidade no mercado, especialmente para o arábica .

No cenário global, o avanço da produção também contribui para o viés negativo. O Rabobank projeta uma safra mundial recorde de café na temporada 2026/27, enquanto a produção do Vietnã, maior produtor de robusta, segue em crescimento, com exportações em alta, o que amplia a oferta dessa variedade no mercado internacional .

Apesar disso, fatores pontuais ainda limitam quedas mais acentuadas. Dados recentes indicam redução nas exportações brasileiras em fevereiro, o que oferece algum suporte aos preços no curto prazo, embora não reverta a tendência predominante de pressão .

O fechamento desta segunda-feira reforça o atual momento do mercado, marcado por ajuste nas cotações diante de um cenário mais confortável de oferta, especialmente com o avanço das expectativas para a próxima safra brasileira.

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Por:
Priscila Alves
Fonte:
Notícias Agrícolas

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