Arábica vira e sobe mais de 1% em Nova York nesta sexta-feira, após quatro sessões consecutivas de perdas
Os preços futuros do café passaram a registrar ganhos nas duas principais bolsas internacionais ao longo da manhã desta sexta-feira (30), último pregão de outubro. Em Nova York, o arábica reverteu as perdas observadas na abertura e passou a subir mais de 1% no contrato dezembro/26, tentando interromper uma sequência de quatro sessões consecutivas de desvalorização. Em Londres, o robusta também ampliou os ganhos apresentados desde o início do dia.
Por volta das 12h07 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 do arábica era negociado a 288,75 cents por libra-peso na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), com valorização de 3,30 cents, equivalente a 1,16%. O março/27 avançava 2,70 cents, cotado a 279,45 cents, enquanto o maio/27 subia 2,40 cents, para 275,40 cents por libra-peso. O julho/27 também apresentava alta de 2,40 cents, negociado a 272,60 cents.
A recuperação representa uma mudança importante em relação à abertura, quando todos os principais vencimentos operavam no campo negativo. Por volta das 7h25, o dezembro/26 era cotado a 284,70 cents por libra-peso, com recuo de 0,26%. Ao longo da manhã, o contrato recuperou terreno e chegou a registrar máxima de 291,50 cents.
O movimento ocorre depois de uma sequência de perdas expressivas. Desde o fechamento da última sexta-feira (23), quando o dezembro/26 estava cotado a 307,45 cents por libra-peso, o arábica acumulou desvalorização de 7,16% até a quinta-feira (29), encerrando a sessão anterior a 285,45 cents.
Com a recuperação desta manhã, a queda acumulada no período foi reduzida para aproximadamente 6,08%. Apesar da reação, os preços ainda permanecem distantes dos níveis registrados na semana passada.
Robusta também amplia ganhos em Londres
Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), os futuros do café robusta avançavam nesta sexta-feira, recuperando parte das perdas registradas na sessão anterior.
O contrato janeiro/27 era negociado a US$ 3.195 por tonelada, com alta de US$ 19, equivalente a 0,60%. O março/27 registrava valorização de US$ 20, cotado a US$ 3.187 por tonelada, enquanto o maio/27 também avançava US$ 20, para US$ 3.182 por tonelada.
Os ganhos se ampliaram em relação à abertura, quando o janeiro/27 era negociado a US$ 3.189 por tonelada. Durante a manhã, o mesmo contrato chegou a alcançar US$ 3.220, antes de reduzir parte da valorização.
A recuperação ocorre em um mercado que continua acompanhando a entrada da nova safra vietnamita, a evolução dos estoques certificados em Londres e as perspectivas de disponibilidade do conilon brasileiro.
Estoques reduzidos e oferta futura mantêm mercado atento
Embora a sessão desta sexta-feira apresente uma recuperação nas duas bolsas, as perspectivas de abastecimento internacional permanecem entre os principais fundamentos acompanhados pelos operadores.
Em Nova York, os estoques certificados de arábica continuam em níveis reduzidos. Dados referentes à quinta-feira (29) apontaram 225.068 sacas disponíveis, volume ainda próximo das mínimas registradas em setembro, apesar do pequeno crescimento recente.
O mercado também acompanha a chegada de novos lotes de café brasileiro aos armazéns credenciados pela ICE. Parte desses volumes ainda depende de procedimentos de classificação e aprovação para integrar efetivamente os estoques certificados, de modo que sua entrada não representa disponibilidade imediata para entrega nos contratos futuros.
Ao mesmo tempo, as perspectivas para a produção global continuam influenciando as expectativas de preços. Em relatório publicado em 19 de outubro, o Rabobank avaliou que a melhora das condições climáticas em importantes países produtores, como Brasil, Vietnã e Indonésia, poderá favorecer uma recomposição dos estoques internacionais nos próximos ciclos.
Essa possibilidade, entretanto, ainda depende da confirmação das condições produtivas e comerciais. A evolução das chuvas nas regiões cafeeiras brasileiras e o desenvolvimento da nova safra vietnamita permanecem entre os pontos de atenção.
No mercado brasileiro, a Safras & Mercado apontou nesta sexta-feira a possibilidade de maior movimentação comercial ao longo do dia, depois de uma quinta-feira marcada por negócios lentos, apesar da estabilidade ou recuperação dos preços físicos em diferentes regiões. A consultoria também destacou o comportamento do dólar como elemento importante para a formação das referências domésticas.
Para os cafeicultores brasileiros, a recuperação das bolsas nesta sexta-feira oferece algum alívio depois das perdas acumuladas durante a semana. A sustentação desse movimento até o fechamento, entretanto, ainda será determinante para avaliar se o arábica conseguirá interromper sua sequência negativa e qual será o saldo de outubro para o mercado internacional.