Milho inverte alta e volta a cair em Chicago nesta 5ª feira; B3 recua até 0,80%

Publicado em 05/11/2026 13:54
Perspectivas de oferta elevada e ritmo das exportações americanas seguem no radar

Os preços futuros do milho inverteram os ganhos registrados na abertura e passaram a operar em queda na Bolsa de Chicago (CBOT) na tarde desta quinta-feira (5). Depois de iniciarem o pregão ampliando a recuperação observada na quarta-feira, os principais contratos perderam sustentação e voltaram ao campo negativo, em um mercado que continua avaliando as perspectivas de oferta elevada nos Estados Unidos e o comportamento da demanda internacional. Na Bolsa Brasileira (B3), os vencimentos mais longos também apresentavam desvalorizações.

Por volta das 13h41 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 do milho era negociado a US$ 4,4125 por bushel em Chicago, com queda de 3,00 cents, equivalente a 0,67%. O março/27 recuava 2,25 cents, para US$ 4,5600, enquanto o maio/27 perdia 2,00 cents, cotado a US$ 4,6450. O julho/27 apresentava baixa de 1,50 cent, negociado a US$ 4,7200 por bushel.

A movimentação representa uma mudança importante em relação ao início da sessão. Pela manhã, o dezembro/26 chegou a ser negociado a US$ 4,4775 por bushel, com valorização de 0,79%. Desde então, o vencimento devolveu os ganhos e voltou a trabalhar próximo dos US$ 4,40.

A pressão ocorre depois de uma quarta-feira (4) em que Chicago havia interrompido duas sessões consecutivas de perdas, com o dezembro/26 encerrando a US$ 4,4450 por bushel.

Oferta americana e exportações continuam no centro das atenções

As expectativas de produção elevada nos Estados Unidos permanecem entre os principais fatores acompanhados pelos operadores, especialmente com a aproximação do próximo relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para 10 de novembro.

Nesta semana, a StoneX elevou sua projeção de produtividade do milho norte-americano para 183,1 bushels por acre, acima dos 181,2 bushels estimados pelo USDA em outubro. Com a revisão, a consultoria passou a projetar produção de aproximadamente 16,2 bilhões de bushels para a temporada 2026/27.

No campo, a colheita americana alcançou 74% da área cultivada até 1º de novembro, avanço de 14 pontos percentuais em uma semana, embora ainda abaixo da média histórica de 77%.

Do lado da demanda, o mercado continua acompanhando o ritmo das exportações. Segundo análise da Farm Futures, os compromissos americanos de vendas externas acumulados na temporada 2026/27 estavam 34% abaixo dos registrados no mesmo período do ciclo anterior.

A diferença persiste apesar dos negócios expressivos anunciados nos últimos dias, incluindo vendas ao México e à Coreia do Sul. Os operadores acompanham a capacidade de novas contratações e dos embarques efetivos de absorver a disponibilidade norte-americana.

O mercado também permanece atento aos dados semanais de vendas para exportação do USDA, referentes à semana encerrada em 29 de outubro.

Produção de etanol apresenta crescimento

Em contraponto às expectativas de oferta elevada, os indicadores recentes da indústria norte-americana de etanol continuam mostrando atividade aquecida.

Segundo dados divulgados na quarta-feira pela Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA), a produção média de etanol alcançou 1,143 milhão de barris por dia na semana encerrada em 30 de outubro, aumento de 25 mil barris diários em relação à semana anterior.

O resultado representou a quinta semana consecutiva de crescimento da produção, alcançando o maior nível em aproximadamente dez meses.

Os estoques do biocombustível também recuaram, encerrando o período em 24,434 milhões de barris.

Os indicadores oferecem uma referência positiva para a demanda industrial, embora o aumento da produção de etanol não permita determinar diretamente o volume de milho processado durante a semana.

B3 acompanha pressão, com perdas nos vencimentos mais longos

Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos futuros de milho também registravam movimentações predominantemente negativas na tarde desta quinta-feira.

Por volta das 13h49, o novembro/26 era negociado a R$ 67,36 por saca de 60 quilos, com leve valorização de 0,06%. O janeiro/27, entretanto, recuava 0,63%, cotado a R$ 71,27, enquanto o março/27 apresentava desvalorização de 0,80%, para R$ 75,58. O maio/27 perdia 0,63%, negociado a R$ 74,68 por saca.

O movimento ocorre depois de uma quarta-feira marcada por oscilações moderadas, quando os futuros brasileiros encerraram a sessão sem direção uniforme.

Além do comportamento de Chicago, o mercado doméstico continua acompanhando o câmbio, as condições regionais de comercialização e as perspectivas para a produção brasileira de milho em 2027.

A StoneX elevou recentemente sua estimativa para a primeira safra nacional, passando a projetar 30,68 milhões de toneladas, enquanto a segunda safra está estimada em 113,53 milhões de toneladas.

Para os produtores brasileiros, a perda de força dos futuros internacionais e domésticos nesta quinta-feira reforça a importância de acompanhar as oportunidades de comercialização nas diferentes regiões. A demanda das indústrias, as condições de exportação e o desenvolvimento da próxima safra continuarão influenciando a formação dos preços.

Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Milho inverte alta e volta a cair em Chicago nesta 5ª feira; B3 recua até 0,80%
Milho amplia recuperação em Chicago nesta quinta-feira, com exportações americanas recordes no radar
Milho reage nesta 4ªfeira e fecha em alta em Chicago com avanço da produção de etanol; B3 tem estabilidade e perdas no físico
Milho inverte perdas e volta a subir em Chicago nesta quarta-feira; B3 opera em direções diferentes
Milho se aproxima dos US$ 4,40 em Chicago nesta quarta-feira e caminha para terceira sessão de perdas
Milho cai mais de 1% em Chicago, mas B3 fecha em alta de até 1,11%; mercado físico apresenta oscilações