Milho se aproxima dos US$ 4,40 em Chicago nesta quarta-feira e caminha para terceira sessão de perdas
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Os preços futuros do milho voltaram a registrar perdas na Bolsa de Chicago (CBOT) na manhã desta quarta-feira (4), prolongando o movimento negativo observado nos dois primeiros pregões de novembro. O contrato dezembro/26 chegou a negociar abaixo dos US$ 4,40 por bushel durante a sessão, em um mercado que continua enfrentando dificuldades para sustentar uma recuperação, mesmo diante das vendas expressivas para exportação anunciadas pelos Estados Unidos nos últimos dias.
Por volta das 8h31 (horário de Brasília), o dezembro/26 era negociado a US$ 4,4075 por bushel, com queda de 1,75 cent em relação ao fechamento anterior. O março/27 perdia 2,00 cents, cotado a US$ 4,5425, enquanto o maio/27 apresentava recuo de 1,75 cent, para US$ 4,6325. O julho/27 era negociado a US$ 4,7000 por bushel, com desvalorização de 2,25 cents.
Durante a manhã, o dezembro/26 chegou a alcançar a mínima de US$ 4,3850 por bushel, antes de recuperar parte das perdas. O movimento ocorre depois de uma terça-feira (3) em que o mesmo vencimento encerrou a sessão a US$ 4,4250, com baixa de 1,28%, ampliando a pressão registrada desde o encerramento de outubro.
A continuidade das perdas acontece mesmo com os recentes anúncios de vendas de milho norte-americano para exportação, enquanto o posicionamento dos investidores e as perspectivas de disponibilidade do cereal continuam influenciando as expectativas de preços.
Fundos reduzem exposição e ampliam pressão sobre Chicago
A movimentação dos fundos de investimento permanece entre os principais elementos acompanhados pelo mercado internacional de milho.
Segundo análise da StoneX, os gestores de recursos reduziram suas posições líquidas compradas em mais de 333 mil contratos futuros nas últimas seis semanas, depois de terem alcançado níveis recordes de exposição comprada.
A redução expressiva mostra uma mudança no posicionamento dos investidores, em um ambiente de reavaliação das perspectivas para os preços agrícolas.
O movimento pode contribuir para a pressão sobre os contratos futuros, especialmente quando ocorre simultaneamente à entrada da safra americana e às expectativas de elevada disponibilidade internacional. Entretanto, os dados de posicionamento não permitem atribuir exclusivamente às operações dos fundos as perdas observadas nesta quarta-feira.
Vendas ao México e à Coreia do Sul não impedem desvalorização
Do lado da demanda internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou nesta terça-feira novas vendas de 451 mil toneladas de milho para exportação.
Desse volume, 315 mil toneladas foram negociadas com o México e outras 136 mil toneladas com a Coreia do Sul, ambas com entregas previstas para a temporada comercial 2026/27.
O anúncio ocorreu um dia depois de uma operação ainda maior, de aproximadamente 1,73 milhão de toneladas de milho ao México, com entregas distribuídas entre os anos comerciais 2026/27 e 2027/28.
Apesar dos negócios expressivos, os contratos futuros permaneceram pressionados. As operações confirmam a continuidade do interesse pelo produto americano, mas ainda não foram suficientes para modificar o comportamento dos preços em Chicago.
O mercado também acompanha o ritmo efetivo dos embarques. Na semana encerrada em 29 de outubro, as inspeções americanas de milho para exportação alcançaram 884.766 toneladas, crescimento de 38,63% em relação à semana anterior, mas ainda abaixo do volume registrado um ano antes.
Colheita americana e revisão da safra brasileira completam cenário
No campo, a colheita de milho dos Estados Unidos alcançou 74% da área cultivada até 1º de novembro, segundo o último relatório Crop Progress do USDA.
O resultado representa avanço de 14 pontos percentuais em uma semana, embora permaneça abaixo da média de 77% dos últimos cinco anos. A continuidade dos trabalhos amplia a disponibilidade física do cereal e mantém a oferta americana entre os fundamentos acompanhados pelos operadores.
No Brasil, as perspectivas de produção também ganharam novas referências com a revisão das estimativas da StoneX para a temporada 2026/27.
A consultoria elevou em 1,4 milhão de toneladas sua projeção para a primeira safra brasileira, passando a estimar uma produção de 30,68 milhões de toneladas. Para a segunda safra, a projeção é de 113,53 milhões de toneladas.
Os números reforçam as expectativas de disponibilidade futura do cereal, embora a confirmação da produção ainda dependa das condições climáticas e do desenvolvimento das lavouras nos próximos meses.
Mercado brasileiro acompanha câmbio e comportamento da B3
No Brasil, a atenção também permanece sobre a formação dos preços domésticos depois de uma terça-feira marcada por movimentações distintas entre Chicago e a B3.
Enquanto os contratos americanos terminaram em queda, os futuros brasileiros encerraram o pregão anterior com valorizações de até 1,11%.
O contrato janeiro/27 da B3 terminou a terça-feira cotado a R$ 71,77 por saca, enquanto o março/27 alcançou R$ 75,90. O movimento ocorreu em um ambiente de valorização do dólar frente ao real, fator que pode favorecer as referências de exportação do milho brasileiro.
Entretanto, o comportamento dos preços físicos continua apresentando diferenças regionais, com compradores cautelosos e negociações limitadas em determinadas praças.
Em seu último boletim, a Grainsights, inteligência de mercado da Grão Direto, destacou que os juros elevados também representam um obstáculo à formação antecipada de estoques pelas indústrias, limitando a capacidade de absorção imediata da oferta disponível.
Para os produtores brasileiros, a continuidade das perdas em Chicago reforça a necessidade de acompanhar simultaneamente os futuros internacionais, o câmbio e a evolução das referências domésticas.
A direção dos preços ao longo desta quarta-feira dependerá da reação dos investidores às condições de oferta e demanda, enquanto o mercado aguarda novas informações sobre o ritmo das exportações americanas e as perspectivas para a próxima safra.
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