Milho cai mais de 1% em Chicago, mas B3 fecha em alta de até 1,11%; mercado físico apresenta oscilações
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Os preços futuros do milho encerraram a terça-feira (3) em direções opostas nas bolsas de Chicago (CBOT) e brasileira (B3). Enquanto os contratos norte-americanos registraram perdas superiores a 1%, pressionados pelas perspectivas de oferta, os vencimentos brasileiros terminaram no campo positivo, favorecidos pelo cenário cambial. No mercado físico, entretanto, as movimentações foram distintas entre as regiões produtoras, com altas pontuais em Goiás e recuos em praças de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e nos portos.
Na Bolsa de Chicago, o contrato dezembro/26 encerrou a sessão cotado a US$ 4,4250 por bushel, com desvalorização de 5,75 cents, equivalente a 1,28%. O março/27 também perdeu 5,75 cents, terminando a US$ 4,5625, enquanto o maio/27 recuou 5,75 cents, para US$ 4,6500. O julho/27 fechou a US$ 4,7250 por bushel, com queda de 5,00 cents.
As perdas foram ampliadas ao longo do pregão. Na abertura, o dezembro/26 era negociado a US$ 4,4700 por bushel, mas perdeu sustentação e terminou ainda mais distante dos US$ 4,50, patamar que havia sido recuperado temporariamente na segunda-feira (2).
O movimento ocorre depois de um outubro marcado por desvalorizações expressivas em Chicago, com perdas superiores a 10% nos principais vencimentos. Apesar das novas operações de exportação anunciadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os contratos continuam encontrando dificuldades para estabelecer uma recuperação consistente.
StoneX eleva projeção da primeira safra brasileira e USDA confirma novas vendas
As expectativas de oferta ganharam um novo elemento nesta terça-feira, com a revisão das projeções de produção brasileira de milho para a temporada 2026/27.
Segundo informações divulgadas pelo Barchart, a StoneX elevou em 1,4 milhão de toneladas sua estimativa para a primeira safra nacional, passando a projetar 30,68 milhões de toneladas. Para a segunda safra, a consultoria trabalha com produção de 113,53 milhões de toneladas.
A revisão acrescenta uma referência de maior disponibilidade potencial do cereal no Brasil, embora a confirmação dos volumes ainda dependa do desenvolvimento das lavouras e das condições climáticas nos próximos meses.
Do lado da demanda internacional, o USDA anunciou nesta terça-feira novas vendas de 451 mil toneladas de milho norte-americano para exportação, com entregas previstas para o ano comercial 2026/27.
Desse volume, 315 mil toneladas foram negociadas com o México, enquanto outras 136 mil toneladas têm como destino a Coreia do Sul.
As operações ocorreram um dia depois de o departamento confirmar uma venda de aproximadamente 1,73 milhão de toneladas ao México, com entregas distribuídas entre as temporadas 2026/27 e 2027/28.
Apesar dos anúncios, os preços futuros permaneceram pressionados. O avanço da colheita americana e as expectativas de oferta continuam influenciando o mercado, enquanto os operadores avaliam se o ritmo de contratação e embarque será suficiente para absorver a disponibilidade do cereal.
Segundo o Crop Progress divulgado na segunda-feira, a colheita do milho norte-americano alcançou 74% da área cultivada até 1º de novembro, avanço de 14 pontos percentuais na semana, mas ainda abaixo da média histórica de 77%.
B3 fecha com ganhos em todos os vencimentos
Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos futuros de milho apresentaram um comportamento diferente de Chicago, encerrando a terça-feira com valorizações em todos os vencimentos negociados.
O novembro/26 fechou cotado a R$ 67,35 por saca de 60 quilos, com alta de 0,19%. O janeiro/27 avançou 0,86%, terminando a R$ 71,77, enquanto o março/27 apresentou valorização de 1,11%, para R$ 75,90. O maio/27 ganhou 0,98%, encerrando a R$ 75,20 por saca.
A recuperação ocorreu na retomada das negociações após o feriado de Finados, em um cenário de valorização do dólar frente ao real.
O câmbio mais elevado tende a favorecer as referências de exportação do cereal brasileiro, ajudando a limitar os efeitos negativos das quedas internacionais. Entretanto, o comportamento dos futuros domésticos também depende das condições de oferta e demanda, dos prêmios e das expectativas de comercialização.
Em seu boletim semanal, a Grainsights, inteligência de mercado da Grão Direto, destacou que os juros elevados também representam uma limitação para a formação antecipada de estoques pelas indústrias e demais compradores brasileiros.
Segundo a análise, o custo do financiamento pode restringir a disposição de compra mesmo em momentos de maior disponibilidade de milho, influenciando o ritmo de comercialização e a capacidade de sustentação dos preços regionais.
Mercado físico registra altas em Goiás, mas preços recuam em portos
No mercado físico brasileiro, o levantamento do Notícias Agrícolas mostrou um comportamento misto nesta terça-feira, com a maior parte das praças acompanhadas apresentando estabilidade.
Entre as valorizações, Jataí e Rio Verde, em Goiás, registraram altas de 1,89%, com a saca negociada a R$ 54,00 nas duas localidades.
Em contrapartida, Sorriso, em Mato Grosso, apresentou queda de 0,47%, para R$ 42,80 por saca, enquanto Eldorado, em Mato Grosso do Sul, registrou recuo de 2,06%, com a referência passando para R$ 47,50.
As referências portuárias também terminaram em baixa. Em Paranaguá, no Paraná, a cotação do milho disponível recuou 1,43%, para R$ 69,00 por saca. Já em Santos, São Paulo, a referência caiu 1,52%, encerrando a R$ 65,00.
O comportamento mostra que, apesar da valorização dos contratos futuros brasileiros e do dólar, a recuperação ainda não se refletiu de maneira uniforme sobre os preços físicos.
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