Taxas têm perdas firmes com mercado ajustando posições antes de leilão do Tesouro
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 27 Out (Reuters) - Após dispararem mais de 250 pontos-base na véspera, com o mercado reagindo negativamente à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as taxas dos DIs iniciaram a terça-feira com perdas firmes, com investidores ajustando posições enquanto aguardam novo leilão do Tesouro de recompra de títulos.
Às 10h35, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,355%, em baixa de 47 pontos-base ante o ajuste de 14,822% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,845%, com recuo de 38 pontos-base ante 15,223%.
A disparada dos prêmios na curva na segunda-feira refletiu tanto um ajuste em relação às baixas vistas após o primeiro turno, quando o senador Flávio Bolsonaro (PL) estava à frente de Lula, quanto as preocupações dos investidores com o futuro da política fiscal.
O Tesouro cancelou logo cedo o leilão regular de venda de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), títulos indexados à taxa básica Selic, desta terça-feira. Ao mesmo tempo, anunciou um leilão de recompra de Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B), títulos indexados à inflação, para o período das 11h às 11h30.
Ao recomprar títulos, o Tesouro atua para minimizar a pressão de alta sobre as taxas dos títulos e dos contratos de DIs.
Em rápida entrevista a jornalistas no Ministério da Fazenda nesta manhã, o ministro Dario Durigan disse que a forte pressão vista na segunda-feira na bolsa, no câmbio e no mercado de juros futuros representou uma "troca de posição, porque o mercado estava apostando em outro candidato". Para ele, já há nesta terça-feira uma reação no mercado local de acomodação de expectativas.
Durigan também reafirmou a intenção do governo de buscar o centro da meta fiscal. A medida, segundo ele, será tratada com o Congresso.
No mercado, uma das principais preocupações é justamente a política fiscal do governo Lula, considerada insuficiente para equilibrar as contas públicas e reduzir a dívida.
No exterior, a sessão é até o momento de alta para os rendimentos dos títulos norte-americanos. Às 10h35, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 1 ponto-base, a 4,995%.