Açúcar fecha em alta e atinge máximas de até quatro semanas com nova disparada do petróleo
Os preços do açúcar encerraram esta quarta-feira (29) em alta nas principais bolsas internacionais, alcançando os maiores níveis das últimas semanas. Em Nova Iorque, a commodity atingiu a máxima em três semanas, enquanto em Londres os preços chegaram ao maior patamar em quatro semanas. Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de maio fechou com avanço de 57 pontos, negociado a 14,77 cents por libra-peso. Em Londres, o movimento também foi positivo. O açúcar registrou alta de 2,75%, sendo cotado a US$ 440,80 por tonelada ao final do pregão.
O mercado acompanhou a nova disparada do petróleo em função da falta de acordo entre EUA e Irã. Os preços da commodity subiram mais de 6% depois da notícia de que o presidente americano Donald Trump rejeitou uma das propostas do Irã sobre o estreito de Ormuz e afirmou que o bloqueio naval dos EUA permanece na rota marítima.
Leia mais:
+ Trump discute bloqueio prolongado ao Irã e pede que Teerã feche acordo
+ Trump avalia manter bloqueio no Estreito de Ormuz por meses e amplia pressão sobre o Irã
+ Petróleo tem nova disparada com falta de acordo entre Irã e EUA e agrícolas acompanham com altas
Suporte da gasolina
O principal fator de sustentação do mercado foi a valorização dos combustíveis. Os preços da gasolina atingiram o maior nível em cerca de 3 anos e 9 meses, o que reforça a competitividade do etanol. Essa relação é direta: com a gasolina mais cara, o biocombustível se torna mais atrativo, incentivando as usinas a direcionarem uma parcela maior da cana para a produção de etanol. Como consequência, há uma redução potencial da oferta de açúcar no mercado internacional, o que dá suporte às cotações.
Brasil no radar
O comportamento do mix produtivo no Brasil também contribui para o cenário de alta. A Companhia Nacional de Abastecimento indicou, em seu primeiro levantamento para a safra 2026/27, uma leve queda na produção de açúcar, ao mesmo tempo em que projeta aumento na fabricação de etanol.
Segundo a estatal, a produção de açúcar deve recuar, enquanto o volume de etanol tende a crescer, refletindo justamente a maior atratividade do biocombustível no atual cenário de mercado.
Contexto recente
Apesar da recuperação, o mercado ainda carrega um histórico recente de pressão. Nas últimas semanas, os preços foram impactados pela expectativa de oferta global abundante e demanda mais fraca.
Em Nova Iorque, o contrato mais próximo chegou a atingir a mínima em cerca de 5,5 anos no dia 17 de abril. Já em Londres, o vencimento de maio registrou entregas de 472.650 toneladas, o maior volume para esse contrato em 14 anos, sinalizando demanda enfraquecida.
Mercado interno
No Brasil, o mercado físico segue com baixa liquidez. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, os agentes continuam cautelosos nas negociações. O Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq fechou a última sexta-feira cotado a R$ 99,66 por saca, leve recuo de 0,2% em relação à semana anterior. Segundo os pesquisadores, a postura dos compradores reflete a expectativa de novas quedas nos preços, diante do avanço da safra 2026/27 e do aumento gradual da oferta no mercado.