Açúcar avança nas bolsas internacionais com suporte do mercado de energia
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Os preços do açúcar operam em alta nas bolsas internacionais nesta quarta-feira (29), sustentados principalmente pelo avanço no mercado de energia. A valorização da gasolina, que atingiu na terça-feira o maior nível em 3,75 anos, reforça a competitividade do etanol e influencia diretamente o direcionamento da cana pelas usinas, dando suporte às cotações da commodity.
Por volta das 8h30 (horário de Brasília), o contrato maio do açúcar era negociado a 14,35 cents por libra-peso, com alta de 240 pontos. Já o contrato julho avançava 180 pontos, cotado a 14,41 cents por libra-peso.
Na terça-feira, os preços do açúcar já haviam registrado ganhos, com o contrato em Nova York atingindo o maior patamar em duas semanas e meia.
Em Londres, a manhã também foi positiva. O contrato agosto era negociado a US$ 437,10 por tonelada, com avanço de 420 pontos, enquanto o outubro subia 440 pontos, a US$ 435,80.
Suporte nos combustíveis
A alta da gasolina continua sendo um dos principais vetores de sustentação do açúcar. Com os combustíveis em níveis elevados, cresce a atratividade do etanol, o que pode levar usinas ao redor do mundo a destinarem mais cana-de-açúcar para a produção do biocombustível, reduzindo a oferta de açúcar.
No Brasil, esse movimento já é observado, com usinas priorizando a produção de etanol em detrimento do açúcar, fator que contribui para o suporte dos preços.
Além disso, o petróleo voltou a avançar e atingiu o maior nível em um mês. Por volta das 13h15, o Brent subia 2,80%, cotado a US$ 111,26 o barril. Mais cedo, chegou a US$ 112,53, maior valor desde 27 de março.
Safra 2026/27
No Brasil, essa dinâmica já começa a aparecer nas projeções oficiais. No primeiro levantamento para a safra 2026/27, a Conab indicou queda de 0,5% na produção de açúcar, estimada em 43,95 milhões de toneladas. Em contrapartida, a produção de etanol deve crescer, acompanhando a maior atratividade do biocombustível.
No cenário internacional, o mercado também acompanha a relação entre oferta e demanda. Apesar da recente recuperação das cotações, a expectativa de maior produção em países como Índia e Tailândia ainda limita avanços mais consistentes. Por outro lado, o aumento das importações por países asiáticos, especialmente a China, tem contribuído para dar suporte aos preços no curto prazo.
A correlação com o petróleo segue no radar dos investidores. Com a energia mais cara, o mix das usinas tende a favorecer o etanol, fator considerado altista para o açúcar ao restringir a oferta no mercado global.
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