Açúcar despenca nas bolsas internacionais com dólar forte e queda do petróleo
Os preços do açúcar encerraram a quinta-feira (18) em queda nas principais bolsas internacionais. O mercado foi pressionado pela valorização do dólar frente a outras moedas e pela forte baixa do petróleo, fatores que aumentam a perspectiva de oferta da commodity no mercado global.
Em Nova York, o contrato julho fechou com recuo de 26 pontos, negociado a 13,59 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco caiu 650 pontos, encerrando o pregão a US$ 445,70 por tonelada.
As cotações ampliaram as perdas após o fortalecimento do dólar, que atingiu o maior nível dos últimos 13 meses frente a uma cesta de moedas. Um dólar mais forte tende a reduzir a atratividade das commodities negociadas na moeda norte-americana, pressionando os preços.
Outro fator baixista foi o desempenho do petróleo. O WTI voltou a recuar e atingiu o menor patamar em três meses e meio. Com combustíveis mais baratos, o etanol perde competitividade, aumentando a possibilidade de as usinas destinarem uma parcela maior da cana para a produção de açúcar, o que eleva a oferta global da commodity.
Apesar da pressão negativa, o mercado segue atento às condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. Dados divulgados pelo Departamento Meteorológico do país mostram que o acumulado de chuvas da temporada chuvosa estava 38% abaixo da média histórica até 17 de junho. A temporada de chuvas, fundamental para o desenvolvimento das lavouras, se estende entre junho e setembro.
As preocupações com o clima ganharam ainda mais relevância após a confirmação do fenômeno El Niño. Na semana passada, a Agência Meteorológica do Japão confirmou oficialmente a formação do evento no Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno costuma reduzir as chuvas em importantes regiões produtoras de açúcar, como Brasil, Índia e Tailândia.
Diante desse cenário, embora o mercado siga pressionado pelos fundamentos de curto prazo ligados ao câmbio e ao petróleo, os investidores continuam monitorando os riscos climáticos para a safra 2026/27, que podem limitar a oferta global e trazer sustentação aos preços nos próximos meses.