Trigo fecha em leve alta em Chicago com mercado atento ao clima no Brasil e às tensões geopolíticas
Os contratos futuros do trigo encerraram a sessão desta terça-feira (28) com leves ganhos na Bolsa de Chicago (CBOT). O mercado seguiu monitorando o desenvolvimento da safra nos principais países produtores, enquanto as tensões geopolíticas na região do Mar Negro e as condições climáticas no Brasil continuam influenciando as expectativas para a oferta global do cereal.
Na CBOT, o contrato setembro/26 fechou cotado a US$ 6,62/bushel, com alta de 2,4 pontos, avanço de 0,38%. O dezembro/26 encerrou a US$ 6,79/bushel, com ganho de 2,2 pontos, valorização de 0,32%. Já o março/27 terminou negociado a US$ 6,95/bushel, com alta de 1,6 ponto, avanço de 0,23%.
No Brasil, o mercado repercutiu o mais recente Boletim de Monitoramento Agrícola (BMA) da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que apontou índices de vegetação das lavouras de inverno acima da média histórica e superiores aos registrados no ciclo passado entre os dias 1º e 21 de julho. Segundo a estatal, o frio, as geadas pontuais e a boa umidade do solo favoreceram o desenvolvimento inicial do trigo, especialmente na Região Sul.
Apesar do cenário favorável observado até meados de julho, a Conab chama atenção para o excesso de chuvas registrado no Rio Grande do Sul nos últimos dias. As precipitações podem causar danos às lavouras e aumentar o risco de lixiviação, processo que reduz a disponibilidade de nutrientes no solo e pode comprometer o potencial produtivo. A Companhia ressalta que esses impactos ainda não aparecem no boletim, já que os indicadores consideram informações coletadas apenas até o dia 20 de julho.
Outro ponto acompanhado pelo mercado é a situação do sudoeste de Mato Grosso do Sul, onde a deficiência hídrica durante as fases de floração e enchimento de grãos reduziu o potencial produtivo das lavouras, reforçando que, embora o cenário nacional seja positivo na maior parte das áreas, ainda existem regiões sob influência de adversidades climáticas.
No cenário internacional, as cotações continuam encontrando suporte nas incertezas envolvendo a guerra entre Rússia e Ucrânia. O mercado permanece atento aos impactos do conflito sobre a logística de exportação pelo Mar Negro, um dos principais corredores mundiais de embarque de trigo, além das condições climáticas no Hemisfério Norte, que seguem sendo determinantes para o comportamento dos preços.
Com isso, o mercado encerra o dia em compasso de espera. Enquanto as condições das lavouras brasileiras continuam sendo monitoradas após as chuvas no Sul, investidores permanecem atentos aos desdobramentos do cenário geopolítico e ao desenvolvimento da safra global, fatores que devem seguir direcionando as cotações do trigo nas próximas semanas.