Soja: Apesar de foco pontual no USDA, relação estoque x consumo apertada nos EUA dá suporte aos preços

Publicado em 10/08/2021 17:11 e atualizado em 10/08/2021 18:13
Semana tem foco maior sobre o novo boletim mensal de oferta e demanda, porém, cenário apertado de oferta e demanda ainda é determinante para a manutenção dos preços. Atuação dos fundos investidores também tem que ser acompanhada.
Ênio Fernandes - Consultor em Agronegócio da Terra Agronegócios

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Entrevista com Ênio Fernandes - Consultor em Agronegócio da Terra Agronegócios sobre o Fechamento de Mercado da Soja

 

À espera dos novos números que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) em seu novo boletim mensal de oferta e demanda da quinta-feira (12), o mercado da soja fechou a sessão desta terça (10) em alta na Bolsa de Chicago. Como explicou o consultor em agronegócios, Ênio Fernandes, da Terra Agronegócios, as estimativas são de uma correção para baixo nos números de produtividade da soja e do milho, o que poderia dar suporte às cotações de ambos. 

"É o momento mais importante para a soja, extremamente delicado. As altas temperaturas e a falta de umidade podem derrubar a produtividade", acredita o consultor. 

Assim, ao lado da espera pelo USDA, o mercado ainda segue acompanhando - e, portanto, ainda bastante volátil - as condições de clima no Corn Belt para entender o tamanho da oferta que o país chega para agregar ao cenário global, que passa por certa escassez de produto. 

"O mundo esperava uma safra americana quase perfeita dos EUA para acalmar um pouco os mercados, mas desde sua semeadura ela não tem mostrado essa perfeição, pelo contrário, ela tem mostrado momentos de tensão", diz Fernandes. "A relação estoque x consumo é muito baixa nos EUA". 

E mesmo que essa redução não venha como o mercado espera e os preços cedam, "há uma limitação nas baixas" dados os atuais baixos estoques mundiais de soja e uma demanda que ainda é bastante forte, ainda segundo o consultor. Será, inclusive, difícil ver o mercado quebrar o patamar do US$ 13,00 por bushel e, caso aconteça, caso as posições se distanciem muito destes níveis, os compradores poderão ficar ainda mais estimulados à formação de estoques. 

A demanda, que neste momento, inclusive, se mostra mais ativa por parte da China, também sinaliza sustentabilidade e é parte importante no suporte aos preços. 

COMERCIALIZAÇÃO

Os produtores de soja dos principais países produtores mundiais se mostram agora mais reticentes em avançar com a comercialização, mesm com margens de renda bastante saudáveis como as que são apresentadas agora no Brasil. 

"Dependendo de onde você está, tem que ter cuidado com a sua comercialização", explica Ênio Fernandes. Nos EUA, alguma insegurança ainda sobre o tamanho da safra deixa o produtor também mais contido ao fazer novos negócios, o que ajuda na sustentação dos preços na CBOT e, consequentemente, deixando os produtores também mais contidos. "No Brasil, o produtor está sinalizando que vai reter seu grão para comercializar lá na frente.

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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