Açúcar recua nesta sexta-feira após máximas recentes; mercado monitora oferta global

Publicado em 28/08/2026 12:30
Contratos em Nova York e Londres operam em baixa, em movimento de correção após forte valorização, enquanto estimativas de menor produção seguem dando suporte às cotações

Os preços do açúcar operam em baixa nas bolsas internacionais nesta sexta-feira (28), após a forte valorização registrada no pregão anterior. Na bolsa de Nova York, por volta das 12h (horário de Brasília), o contrato outubro era negociado a 17,81 cents por libra-peso, queda de 38 pontos. Já o contrato março/27 era comercializado a 18,82 cents por libra-peso, recuo de 37 pontos.

Em Londres, o contrato outubro era negociado a US$ 516,50 por tonelada, baixa de 780 pontos. O contrato dezembro registrava queda de 550 pontos, cotado a US$ 523,30 por tonelada.

União Europeia reduz perspectiva de produção

No pregão anterior, as cotações dispararam diante de novas sinalizações de aperto na oferta mundial. Um dos principais fatores de suporte foi a atualização do Observatório do Mercado de Açúcar da União Europeia, que passou a estimar uma produção de 13,4 milhões de toneladas em 2026/27, queda de 19% em relação à temporada anterior.

A perspectiva de menor produção no bloco reforça as preocupações com a disponibilidade global de açúcar, principalmente diante dos impactos de condições climáticas adversas sobre as lavouras de beterraba, incluindo períodos de seca e temperaturas elevadas em importantes regiões produtoras.

Déficit global segue no radar

Além da produção europeia, os investidores acompanham as sucessivas revisões nas estimativas para o balanço mundial de açúcar.
A Green Pool Commodity Specialists projeta agora um déficit global de 3,2 milhões de toneladas em 2026/27. A consultoria também reduziu sua estimativa de superávit para 2025/26 para 4,85 milhões de toneladas, ante 4,93 milhões de toneladas anteriormente.

Outras consultorias também vêm apontando para um mercado mais apertado. A Covrig Analytics passou a estimar, no início de agosto, um déficit de 300 mil toneladas em 2026/27, revertendo a previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas.

A StoneX elevou sua projeção de déficit para 1,7 milhão de toneladas, contra 550 mil toneladas anteriormente. Já a Czarnikow revisou o balanço de 2026/27 de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas.

Entre os fatores considerados pela Czarnikow está o maior direcionamento da cana brasileira para a produção de etanol, reduzindo a disponibilidade de açúcar no mercado internacional.

Índia continua no radar

A oferta indiana também permanece entre os principais pontos de atenção. Na semana passada, a Diretoria Geral de Comércio Exterior da Índia autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro.

A decisão chama atenção porque a Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar e tradicionalmente ocupa uma posição de exportadora. O país realizou importações significativas pela última vez na safra 2017/18.

A possibilidade de compras externas ocorre justamente em um momento de preocupação com a oferta mundial. Ao mesmo tempo, estimativas recentes indicam que o volume efetivamente importado pelo país pode ficar abaixo do limite autorizado, o que reduz parte do impacto esperado sobre a demanda internacional.
 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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