Açúcar recua nesta sexta-feira após máximas recentes; mercado monitora oferta global
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Os preços do açúcar operam em baixa nas bolsas internacionais nesta sexta-feira (28), após a forte valorização registrada no pregão anterior. Na bolsa de Nova York, por volta das 12h (horário de Brasília), o contrato outubro era negociado a 17,81 cents por libra-peso, queda de 38 pontos. Já o contrato março/27 era comercializado a 18,82 cents por libra-peso, recuo de 37 pontos.
Em Londres, o contrato outubro era negociado a US$ 516,50 por tonelada, baixa de 780 pontos. O contrato dezembro registrava queda de 550 pontos, cotado a US$ 523,30 por tonelada.
União Europeia reduz perspectiva de produção
No pregão anterior, as cotações dispararam diante de novas sinalizações de aperto na oferta mundial. Um dos principais fatores de suporte foi a atualização do Observatório do Mercado de Açúcar da União Europeia, que passou a estimar uma produção de 13,4 milhões de toneladas em 2026/27, queda de 19% em relação à temporada anterior.
A perspectiva de menor produção no bloco reforça as preocupações com a disponibilidade global de açúcar, principalmente diante dos impactos de condições climáticas adversas sobre as lavouras de beterraba, incluindo períodos de seca e temperaturas elevadas em importantes regiões produtoras.
Déficit global segue no radar
Além da produção europeia, os investidores acompanham as sucessivas revisões nas estimativas para o balanço mundial de açúcar.
A Green Pool Commodity Specialists projeta agora um déficit global de 3,2 milhões de toneladas em 2026/27. A consultoria também reduziu sua estimativa de superávit para 2025/26 para 4,85 milhões de toneladas, ante 4,93 milhões de toneladas anteriormente.
Outras consultorias também vêm apontando para um mercado mais apertado. A Covrig Analytics passou a estimar, no início de agosto, um déficit de 300 mil toneladas em 2026/27, revertendo a previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas.
A StoneX elevou sua projeção de déficit para 1,7 milhão de toneladas, contra 550 mil toneladas anteriormente. Já a Czarnikow revisou o balanço de 2026/27 de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas.
Entre os fatores considerados pela Czarnikow está o maior direcionamento da cana brasileira para a produção de etanol, reduzindo a disponibilidade de açúcar no mercado internacional.
Índia continua no radar
A oferta indiana também permanece entre os principais pontos de atenção. Na semana passada, a Diretoria Geral de Comércio Exterior da Índia autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro.
A decisão chama atenção porque a Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar e tradicionalmente ocupa uma posição de exportadora. O país realizou importações significativas pela última vez na safra 2017/18.
A possibilidade de compras externas ocorre justamente em um momento de preocupação com a oferta mundial. Ao mesmo tempo, estimativas recentes indicam que o volume efetivamente importado pelo país pode ficar abaixo do limite autorizado, o que reduz parte do impacto esperado sobre a demanda internacional.
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