Preço do etanol volta a subir com expectativa de aumento da demanda

Publicado em 27/08/2026 15:25
Apesar dos sinais positivos do lado da demanda, o mercado ainda enfrenta um cenário de oferta abundante

O preço do etanol hidratado voltou a se aproximar de R$ 2,20 por litro ao produtor na primeira quinzena de agosto, em um movimento que combina a valorização do açúcar, a alta do real e a expectativa de aumento do consumo do biocombustível. A reação ocorre após um período de pressão sobre as cotações e em um momento considerado decisivo para o mercado, que ainda precisa acelerar a absorção de uma oferta elevada.

A expectativa da Consultoria Agro do Itaú BBA é de que a demanda ganhe força a partir de agosto, favorecida pela vantagem de preço do etanol em relação à gasolina e pelo maior número de dias úteis para comercialização. Nos postos de São Paulo, a paridade média entre os dois combustíveis está abaixo de 60% desde o início de junho, tornando o etanol mais vantajoso para o consumidor.

A competitividade também se estende para outros mercados. Atualmente, o etanol é economicamente mais atrativo em 10 estados, que juntos representam cerca de dois terços da demanda brasileira por combustíveis leves.

Outro fator que deve impulsionar a demanda é o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passou de 30% para 32% em 1º de agosto. A mudança amplia o consumo estrutural do biocombustível e representa um suporte adicional para o mercado. A aprovação do Projeto de Lei Complementar nº 114/2026 pelo Congresso Nacional, em 12 de agosto, também trouxe uma proteção adicional ao setor, ao prever uma subvenção de até R$ 1,2 bilhão para o etanol.

Apesar dos sinais positivos do lado da demanda, o mercado ainda enfrenta um cenário de oferta abundante. A cadeia precisa absorver aproximadamente 2 bilhões de litros por mês para evitar o acúmulo excessivo de estoques de passagem. A velocidade dessa absorção será determinante para a formação dos preços nos próximos meses, especialmente em um ambiente de juros elevados, que aumenta o custo de carregamento dos estoques.

O mercado externo, por sua vez, permanece limitado como alternativa para escoamento da produção. Desde 22 de julho, o etanol brasileiro está sujeito a uma tarifa de 37,5% nos Estados Unidos, reduzindo a competitividade do produto no mercado norte-americano. Ao mesmo tempo, o avanço do etanol produzido nos Estados Unidos em outros destinos globais aumenta a concorrência e restringe as oportunidades para as exportações brasileiras.

“A recente recuperação dos preços é um primeiro sinal de melhora, mas ainda não representa uma mudança consolidada de cenário. Para que o mercado entre de fato em um novo ciclo de valorização, será fundamental que o aumento da competitividade do etanol se traduza em maior consumo e acelere a absorção dos estoques ao longo dos próximos meses”, finaliza Mariana Zechin, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA.

 

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Fonte:
Comunicação – Itaú Unibanco

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